1.7.09

23.10.08

Apresento-me

Abanquei no ponto Come. Na verdade eu já andei por estas paragens, assinando Companhia das Indias e cantando hosanas à desgarrada com o então Frei Papinhas em louvor da arte de bem comer.
Agora é para ficar, com dedicação, trabalho de casa e tudo.
E a propósito de trabalhos de casa vou passar pelo Aromas & Sabores, em Campo de Ourique, para saber as novidades que o Sr. Arlindo Santos tem para os fieis daquela paróquia.
Depois eu conto. Até breve.

14.9.08

O Rolls-beef português

Café de S. Bento

Rua de S. Bento, 212
Tel. 213 952 011

Agora já abre à hora de almoço, mas eu, tenho de confessar, associo o Café de S. Bento à noite, a um jantar para o tarde, a uma ceia, no máximo a uma conversa à volta de dois copos, ao fim do dia. Recordo-me de lá ir há imensos anos, de sempre ter podido contar com um serviço extremamente delicado e competente, com simpáticos profissionais vestidos a rigor, sem falhas.

Depois, claro, com os bifes magníficos e imbatíveis em Lisboa – “à portuguesa” ou “à Marrare”; como alguém disse: o "rolls-beef" português – servidos com uma batata frita deliciosa (em duas versões, à escolha), acompanhados de vinho (lista pequena, mas de qualidade, com boas meias garrafas, o que começa a ser raro) ou uma cerveja “bem tirada”. Cuidado com o pão torrado e a manteiga de entrada, que são uma tentação. E há empadas, atenção! E queijo da serra, de grande qualidade.

Os frequentadores são de variadas e múltiplas “raças”. Durante a semana, passam por lá, quase sempre, espécimens da nossa operosa deputação parlamentar, a prolongar a noitinha, quase sempre em registo de grave intriga, depois da exaustante tarefa diurna, exercida a bem da pátria e de todos nós. Aos domingos (porque está aberto aos domingos!) é a vez dos executivos/advogados da Lapa/Estrela assentarem nos sofás as bombazines e as Burberry’s, com madames esfomeadas à ilharga, a agitar os doirados cabelos, sempre de olho na entrada dos amigos “de toda a vida”, no tardio regresso do fim de semana nos montes alentejanos, às vezes com filharada adolescente já a aculturar-se ao espaço e aos bifes. E todos os outros, os namorados em busca das mesas de “tête-à-tête”, os solitários maduros que lêem o jornal disponível (com vareta, à antiga!) e cocam com displicente ansiedade a porta, em busca de companhia conhecida, para pôr termo à solidão frente ao copo, o pessoal da Fundação vizinha, os jornalistas já cansados dos colegas do Snob, etc. Tudo num ambiente sereno (salvo algumas “tias” e deputados mais histriónicos, a jogar para a plateia), muito agradável, de “boa onda”. E sem pressas, sem ninguém nos “enxotar” das mesas, mesmo que nos alimentemos por horas a cafés (desde sempre acompanhados de “After Eight”, como o horário recomendado recomenda).

Sujeito a uma profunda renovação que dele nos privou por alguns meses, o “Café de S. Bento” fez um “lifting”, tendo agora uma nova decoração que lhe preservou o essencial da imagem, mas com mais bom gosto e modernidade, além de mais espaço. E continua a acolher fumadores (mas com excelente extracção de fumos), perdeu a irritante televisão (essa praga maior da restauração lusitana) e ganhou uma sala de jantar de grupos no andar superior, onde se não pode fumar. E agora até nos oferece parking, a 200 metros, coisa que, nos tempos que correm e na área onde se situa, não deixa de ser uma apreciável vantagem comparativa.

Restaurantes em Lisboa há muitos, alguns de grande qualidade e, quase todos, com uma lista muitíssimo mais variada. Mas a noite de Lisboa não seria o que é se deixasse um dia de contar com a excelente âncora de qualidade que é o “Café de S. Bento”.

13.9.08

Afinal havia outra!


Travessa do Rio
Travessa do Rio, 6A
Tel. 217 160 543
Lisboa

Confirmámos que, em Lisboa, não há uma só "Travessa".

Esse respeitável indicador de boas mesas que dá pelo nome – tão estranhamente simples que até pensei tratar-se de pseudónimo – de José Silva, no seu indispensável “Restaurantes de Portugal” (5ª edição!) fala-nos da “Travessa do Rio”, logo avisando que fica “num local um pouco escondido e difícil de encontrar”. De facto é, mas aqui vai a melhor decifração geográfica que me foi possível produzir: situa-se numa quelha à direita e ao fundo da primeira transversal da Avenida Gomes Pereira, indo da Estrada de Benfica ou da Avenida do Uruguai, depois de se passar um mar de automóveis estacionados; ao invés, claro, quem desce a Avenida Gomes Pereira, vindo da estação ferroviária de Benfica, deve entrar na última transversal à esquerda, antes de chegar à Estrada da Luz.

O lugar não é nenhum deslumbre como espaço. Faz parte daquele discutível gosto, muito luso-português, de ambiente a puxar para o “típico”, com telheiro “à maneira” e azulejos “a armar ao antigo” nas paredes. Tirado isto, temos duas salas espaçosas, com espaço muito limpo, um pessoal atento (ou teremos tido sorte com a educação e gentileza do Sr. Vítor, que nos calhou?) e uma belíssima comida.

Com excepção de uns torresmos menos bem cozinhados e por isso “borrachosos”, todas as entradas estavam excelentes – embora tivéssemos apreciado mais se nos perguntassem se as desejávamos, antes de as colocarem na mesa – e tudo quanto se experimentou estava feito com grande qualidade. Noto, em especial, o magnífico bacalhau à dr. Guimarães, uma simpática homenagem a um desaparecido crítico de “A Capital”, cliente cuja memória a casa consagra também através de um quadro com o recorte elogioso. A parede acolhe também crónicas de Francisco José Viegas na “Visão” sobre a culinária da casa, embora tivéssemos ouvido queixas (Ó Francisco, pense bem!) da sua ausência em tempos mais recentes, por virtude da “Travessa do Rio” ter optado por ser uma “smoking-free area”.

Crónicas e relatos lidos sobre a casa registam especialidades como arroz de pato e cabrito assado, para além de óptimo peixe.

A garrafeira é excelente, com preços honestos e boas sugestões trazidas à mesa.

Uma nota final, numa sobremesa: o pudim de ovos, dito “abade de Priscos”, não o era, de facto, embora seja igualmente muito bom.

A simpatia de não ter sido cobrado um cálice de Porto a uma inesperada visitante à nossa mesa demonstra grande profissionalismo e atenção. São gestos como estes que qualificam um serviço. O que abrem a vontade de regressar, tão breve quanto possível.

E desta forma confirmámos que, para além da sofisticada “Travessa”, no Convento das Bernardas, para os lados de Santos, onde hoje preponderam a Vivianne e o António – e que muito se recomenda –, ela própria originada na mais “belga” casa anterior com o mesmo nome, perto de S. Bento, então ainda com a Sofia (hoje a liderar, com muita qualidade, o vizinho “Guarda-Mor”), existe em Benfica uma outra “Travessa” que merece bem uma visita.

Salsa, coentros & muita qualidade


Salsa & Coentros

Rua Coronel Marques Leitão, 12
Tel. 218 410 990

Foi já há uns anos que, naquela que é a evolução natural da vida e das coisas, um excelente profissional que havia conhecido na “Charcutaria” de Campo de Ourique, e, mais tarde, na sua segunda encarnação na Rua do Alecrim, decidiu voar por si próprio e abrir aquele que é hoje um dos mais seguros restaurantes alentejanos de Lisboa. O que, diga-se, não era obra fácil, porque esse era um “nicho” de gastronomia regional que contava já com um leque de excelentes casas. O sucesso do empreendimento, hoje já consagrado por uma clientela fiel e por um nome reputado, é a prova mais cabal da qualidade deste magnífico restaurante.

Fica no bairro de Alvalade, numa esquina à direita, na única perpendicular à zona da Avenida do Rio de Janeiro que liga o largo no topo da Avenida da Igreja à Avenida do Brasil.

Nas entradas, destacam-se as tradicionais empadinhas de galinha, a perdiz de escabeche ou os pezinhos de porco de coentrada. Depois, segue-se o Alentejo em todos o seu esplendor, como uns choquinhos em azeite e alho ou uma sopa de cação. Mas também com óptimos filetes de garoupa e até uma transmontana alheira de Fiolhoso. Muito cuidada lista de vinhos, com equilíbrio certo entre Alentejanos e Douros. Desta vez não se optou por sobremesas, mas experiências anteriores deixaram memória muito positiva dos doces.

Este é um restaurante que se recomenda sempre, do qual nunca ouvi um comentário negativo – do ambiente, ao serviço ou à qualidade da comida. O que é notável, nos tempos que correm!

8.9.08

Mais um regresso

O Barriguinha Cheia

Rua Cidade de Espinho, 115
Vila Real
Tel. 259 321 266

O forasteiro deve perguntar onde fica a área próxima da igreja de Nossa Senhora da Conceição, antes de conseguir descobrir a rua.

Este restaurante tem-me dado mais alegrias que desgostos, mas estes também já aconteceram. Nascido há já uns bons anos no local da antiga tasca do “Morrinha”, na Rua Alexandre Herculano, foi, à época, uma lufada de ar fresco numa cidade onde a restauração de qualidade teima em escassear.

No seu novo local, as coisas têm sido menos regulares e chegam-me, por vezes, notas de insatisfação, algumas por mim partilhadas. O serviço é algo lento, os preços são caros para os hábitos da cidade e, algumas vezes, pratos houve que não estiveram à altura das expectativas. O espaço é agradável, o serviço simpático e a comida, na maioria esmagadora das vezes, recomenda-se. Há uma lista com fartas e imaginativas opções. Provaram-se umas belas pataniscas com arroz de feijão, cozinhadas como deve ser – e deveriam ser de estudo obrigatório para outros que têm pretensão de as saber fazer, e não sabem, no caminho de Vila Real para Chaves. As sobremesas provadas estavam muito boas, com nota máxima para o pudim de amêndoa, assumidamente vindo da Casa Lapão. A lista de vinhos continua excelente.

A casa faz um belo esforço para se manter com qualidade. Voltarei ao Barriguinha Cheia.

7.9.08

Casa de pasto à antiga

Toca do Lobo

Parada de Cunhos
Vila Real
Tel. 259 322 741

Quem entra em Vila Real, pela IP4, vindo do Porto, deve sair para Parada de Cunhos. Depois da rotunda, toma, durante pouco mais de 200 metros, a estrada antiga em direcção ao Porto. No fim de uma curva prolongada à direita, logo se encontra a Toca do Lobo, numa moradia separada da estrada por um pequeno quintal.

A Toca do Lobo tem o aspecto certo para se lhe poder chamar “casa de pasto”. A comida é muito simples, a lista (oral) escassa e não se esperem quaisquer requintes. Da cozinha da D. Guilhermina saem, no máximo, três opções, de que o “prato forte” é sempre o cozido à portuguesa diário, com as tripas aos molhos e a vitela assada como regulares alternativas. Pergunte pelo telefone se há o bacalhau da casa ou cabrito. Na época própria há alheiras de fabrico próprio. O vinho da casa é de boa qualidade.

O ambiente tem um registo bem popular, singelo e totalmente despretensioso, com os espaços onde se come decorados com pratos antigos, com madeira nos lambris.

Já lá não ia há vários anos. Tudo continua praticamente na mesma, como se o tempo por ali não passasse, tal como o trânsito que agora já ali não passa em direcção ao Marão.

5.9.08

La France à Vila Real

La Poêle d’Or

Avenida Cidade de Ourense, Torre, Piso 3, Loja 313
Vila Real
Tel. 259 093 139

Quem vem do Porto, saindo em Vila Real, deve continuar até à rotunda com o repuxo aquífero (uma praga municipal que se tornou endémica no Norte do país) e tomar à esquerda a avenida que sobe entre prédios altos, numa arquitectura símbolo da modernidade pato-bravista em que Vila Real se transformou. O letreiro com o nome do restaurante vê-se logo à direita. Se, depois de estacionar, descobrir um corredor esconso, entre cabeleireiros e outras singulares ofertas comerciais, chegará ao Poêle d’Or. Não desanime, o interior é bem melhor que o caminho.

Aberto em inícios de Agosto de 2008, num local onde já existiram dois outros restaurantes, este lugar de “cozinha francesa e portuguesa” merece uma visita, quanto mais não seja pela coragem de um cozinheiro francês, que já viveu no Taiti, e que casou no Luxemburgo com uma portuguesa que o arrastou até Trás-os-Montes. A lista parece um pouco longa para poder sobreviver com qualidade, com uma escrita a combinar preciosismos linguísticos que ganhariam em ser corrigidos: “Les rins…” e coisas assim. Mas tudo o que se comeu estava bom – e isso é o mais importante!

Uma nota: a carta de vinhos é deprimente e isso mesmo foi dito ao chefe, que parece disposto a fazer uma rápida aprendizagem, por forma a conseguir ligar o seu conhecimento culinário aos hábitos locais. “Bonne chance!” é o que se deve desejar a quem procura abrir Vila Real à cozinha de inspiração francesa.

Daqui a uns meses, voltaremos para ver como param as modas. Mas, até lá, os vilarealenses e os visitantes têm obrigação de ajudar a esta empreitada luso-francesa.

3.9.08

Uma noite no Museu

Museu dos Presuntos

Avenida Cidade de Ourense, 43
Vila Real
Tel. 259 326 017


Se não é um frequentador regular, como é o meu caso, mas apenas episódico, e está à espera de grandes novidades na ementa, desengane-se. Nesta casa pratica-se uma comida regional sólida, com pratos há muito testados e que são uma espécie de rosto da sua tradicional oferta gastronómica. Por isso, a lista chega a parecer algo monótona, mas, se bem lida, vê-se que tem um equilíbrio próprio, dá grande segurança e oferece opções muito diversas. As incursões do Silva pela zona do Barroso permitem-lhe assegurar um permanente abastecimento de óptimos produtos da região, ao mesmo tempo que o Douro é a zona forte da magnífica garrafeira, com preços bastante razoáveis, em especial para o que por aí se vê. O presunto é sempre de primeira qualidade, a vitela barrosã é a base da bela “posta”. Não se espraie muito pelas apetitosas entradas, porque tem de estar disponível para o que vai seguir-se. O serviço pode ser um pouco lento em dias de casa cheia, mas é sempre simpático e acolhedor. Um “senhor” restaurante, a meu ver o melhor de Vila Real – que me desculpem os outros, mas a culpa é exclusivamente deles! Uma alternativa: se as mesas dos "habitués", à esquerda de quem entra, não estiverem preenchidas, o que é raro, pode provar apenas uns petiscos com vinho da casa, em malga...

O sal da vida


Flor de Sal

Parque Dr. José Gama
Mirandela
Tel. 278 203 063


Se vem da A4 em direcção a Mirandela, volte à esquerda antes de atravessar a ponte nova sobre o Tua. É um espaço que surpreende, não apenas pela beleza do panorama que se disfruta do edifício, mas, principalmente pela grande qualidade do que apresenta, numa ousadia de propostas, onde a azeitona e o azeite têm um papel central… até na sobremesa! E atenção aos pães, variados e deliciosos! Aqui pratica-se um casamento, às vezes nos limites da aventura, entre alguns produtos tradicionais da região – estamos na “capital” das alheiras, embora a famosa Adelina já tenha desaparecido há muito – e outros componentes, menos expectáveis nas combinações anunciadas. Mas tudo sempre com sucesso, posso assegurar. Uma atenção especial merecem os pratos com carne de porco, mas a vitela também é soberba e os bacalhaus excelentes. Bela garrafeira, naturalmente apoiada no Douro, mas com algumas boas surpresas bem estranhas à região. Uma “flor” muito rara na restauração transmontana. Como diria o Michelin, vale bem o “détour”.

2.9.08

Águas passadas no DOC


DOC
Folgosa do Douro
Estrada Nacional 222, entre a Régua e o Pinhão, na margem esquerda do Rio Douro.
Tel. 254 858 123

O entusiasmo com que partira a caminho do DOC foi de tal forma afectado pelo choque da informação recebida que abrandei a velocidade e quase parei o carro. Um jantar no DOC, sem vinho?!

Pois era essa a proposta, nem mais nem menos: uma refeição de degustação, só com águas e total ausência de alcoóis. Confesso que a hipótese de desistir chegou a passar-me pela cabeça e que só o facto de haver um compromisso fixado com antecedência, e não querendo ofender o autor do alvitre – um arquitecto de “primeira água” –, fez com que a minha relutância fosse atenuada.

A imagem que eu mantinha do DOC era muito positiva, pela boa memória de uma visita passada. Críticas lidas ao longo do ano haviam-me alimentado o desejo de regressar e rever a cozinha de Rui Paula, que me diziam estar cada vez mais imaginativa, com uma rara sustentação de qualidade. Mas, tenho de confessar, desse desejo também fazia parte integrante a possibilidade de acompanhar a comida com algum ou alguns dos excelentes Douros que integram a magnífica lista de vinhos que o restaurante sempre apresenta.

O DOC tem uma situação privilegiada, na margem esquerda do Rio Douro, a meio desse percurso mágico que é a sinuosa estrada entre a Régua e o Pinhão, bordejada de vinhas e nomes de quintas, algumas a fazerem-nos recordar rótulos de belas produções vinícolas. O local é magnífico, em dia ameno pode-se utilizar o deck exterior. Dentro, telas de plasma na sala permitem seguir os trabalhos na cozinha, um exercício de transparência que nos aumenta a confiança. Uma área para amenizar a espera foi entretanto criada, com um piano a sugerir interessantes potencialidades e a assegurar que nunca o espaço virá a ser perturbado por uma qualquer “musak” ambiental. E, sobre tudo isso, a certeza de podermos beneficiar de um cenário deslumbrante, no centro de uma paisagem de uma serenidade única.

Tudo bem, tudo isso era verdade, mas a minha perplexidade mantinha-se. A ideia continuava a ser verdadeiramente bizarra: um jantar degustação, sem vinhos, só com águas?! Não sou fundamentalista, não sou um ansioso de vinho, passo imensos dias sem provar uma gota de álcool. Mas no DOC, no coração do Douro, um jantar sem vinho soava-me como que ofensivo a esses “montes pintados” que Araújo Correia nos descreveu.

Foi num misto de perplexidade e curiosidade, com a primeira a superar em muito a segunda, que entrei no restaurante. Ainda lancei, sem sucesso, a ideia de, pelo menos, “abrir” com um gin tónico, como que a criar lastro etílico para sustentar o que aí viria. Fui logo desiludido por vozes suavemente reprovadoras, que me alertaram para os riscos de afectação da pureza gustativa, a qual deveria ser mantida numa espécie de virgindade profiláctica, indispensável ao acolhimento dos gozos que se seguiriam.

E, pronto, lá fomos para a mesa, uma dúzia de convivas, a maioria desconhecidos, uns aparentemente mais convictos das virtualidades do exercício que outros – comigo, francamente, bem ancorado no campo dos últimos.

Tudo começou por um período inicial de carência psicológica, em que um ou outro lá ia recordando a falta do vinho à mesa. A sólida constatação de que o único líquido permitido seria a água provocou então graçolas nervosas, com os mais imaginativos a aventarem o recurso limite a uma “aguardente” ou a uma “água-pé”.

É que, de facto, eram as águas as rainhas da noite. Águas diferentes, umas lisas outras gasosas, umas mais “planas” outras mais “profundas”, algumas algo “agressivas”. Tivemos até o privilégio de provar umas nórdicas de belo design, mais frescas umas que outras. Sempre águas, claro! Apenas uma água era portuguesa e, para mim, totalmente desconhecida.

Durante o repasto, as águas sucediam-se, em copos diferentes, cada uma a acompanhar as (creio!) oito propostas gastronómicas, que não estavam sequer listadas à partida. Um simpático “expert” – reputado conhecedor de vinhos, imaginem! – procurava ajudar-nos a identificar, não apenas a singularidade de cada uma das águas experimentadas (sobre cujas qualidades comparadas alguns dos convivas já ousavam, a medo, “mandar bitaites”), mas igualmente a razão pela qual essa mesma água fora seleccionada para acompanhar tal prato, em função do seu potencial para combinar, por contraste ou complemento, o produto cozinhado.

E foi então que se foi passando essa coisa extraordinária que foi o facto de, sem disso termos real consciência, a ausência do vinho ter deixado praticamente de constituir tema da conversa, muito menos de qualquer angústia. A refeição, regada a águas, ia-se impondo naturalmente, perante o deslumbre dos sentidos, a variedade das escolhas propostas, a riqueza das combinações que nos eram oferecidas.

Duas evidências ficaram claras, na minha perspectiva.

A primeira foi o facto da ausência do vinho nos ter tornado, a todos, muito mais atentos aos sabores do que nos ia sendo apresentado, não nos “distraindo” da essência dos paladares, obrigando a que nos concentrássemos, de forma mais profunda, em cada componente do que nos era sugerido. Por mim, pude constatar que o vinho, em toda a sua imorredoura glória de factor criativo e de qualificador global do gosto, pode ter o “defeito” colateral de nos afastar do esforço de procura de construção/desconstrução do que estamos a saborear, da especificidade de um molho, da ténue diferença gustativa de um vegetal, da “nuance”, quase imperceptível, de um produto sujeito a um tratamento muito sofisticado. Digo isto porque, talvez pela primeira vez desde há muito, consegui descortinar e isolar, combinando-os depois muito melhor, os componentes que o Chefe ia indicando como constituintes das propostas gastronómicas que surgiam.

Quererei dizer, com isto, bem no coração deste nosso Douro, que o vinho passou a ser algo dispensável? Longe disso: o vinho é, cada vez mais, o grande “sublinhador” criativo dos paladares, o provocador de efeitos que se acrescentam aos alimentos e deles consegue extrair novos e decisivos matizes. E tem, além disso, uma importante carga eufórica, que excita as almas e alegra os tempos, particularmente se for de qualidade e se tomado com conta, peso e medida – e, claro, se as garrafas forem abertas com antecedência adequada e se servido à temperatura requerida.

Mas esta interessante experiência teve a virtualidade de nos mostrar que, numa refeição, há mais vida para além do vinho, se bem que a vida e a refeição sejam sempre muito boas com ele à frente.

Uma segunda constatação também se impõe: a virtualidade desta prova, sem o recurso ao complemento do vinho, só teve o sucesso que teve pelo facto de ter sido apoiada na qualidade excepcional de todos os pratos apresentados, que a ausência do álcool permitiu que ganhassem autonomia própria, deixando-os “brilhar” por si mesmos. E foi a circunstância dessa qualidade nunca ter decaído ao longo do jantar, de prato para prato, que conseguiu garantir um apego contínuo e sustentado do nosso paladar àquilo que íamos degustando, sem fazer ressaltar a “saudade” do travo adjectivo do vinho. Com uma refeição banal, por melhores que fossem as águas, tudo não teria passado de uma grande “seca”… E eu, tenho de admitir, fui menos capaz do que outros companheiros desta agradável jornada de ser sensível a algumas características específicas que eram atribuídas e identificadas em cada uma das águas provadas.

Dito isto, vamos ao principal: Rui Paula provou-me definitivamente, nesta memorável noite, que é hoje um dos chefes portugueses com maior criatividade, que consegue aliar a sofisticação de uma cozinha contemporânea de grande nível e excelente apresentação com algumas notas de rodapé gustativo, em que faz orgulhosa questão de trazer-nos à lembrança sabores regionais, na maioria dos casos tipicamente nortenhos, umas vezes de forma subliminar, outras de modo plenamente assumido. Rui Paula consegue assim demonstrar-nos – e entendo que outros deveriam aprender com isso – que o cosmopolitismo sofisticado de uma cozinha não é incompatível com o recurso a citações sensoriais ligadas às raízes geográficas de onde se opera. Pelo contrário, a originalidade do que nos propõe no DOC só ganha com a chamada à mesa desses mesmos elementos.

Num circo, trabalhar sem rede é um risco que enobrece a arte. Num restaurante, ousar um menu sem o recurso ao complemento de vinhos será talvez a prova mais provada de que a grande gastronomia também se constrói na autoconfiança e na certeza de que a qualidade se imporá sempre por si própria. Quando exista no trabalho de um grande Chefe, como é o caso de Rui Paula.

A boa disposição com que saí deste exercício – que, a bem dizer, deveria ter o “mecenato” da Brigada de Trânsito da GNR – leva-me a ecoar a já célebre frase de um velho oficial de Marinha, pouco navegado nas especificidades da gramática, que a nossa História acolheu como uma patética anedota política, quando um dia quis qualificar uma sua qualquer alegria pública: “só tenho um ‘adjectivo’ para expressar o que hoje aqui senti: gostei!”.

A foto que ilustra esta nota foi amigavelmente sonegada ao Francisco.

Regresso à Terra

Terra de Montanha
Rua 31 de Janeiro, 16
Vila Real
Tel. 259 372 075

Espaço rústico, talvez um pouco pretencioso na procura dessa rusticidade, onde abundam os tonéis de madeira e um ambiente a puxar para o típico (as fotos antigas falsas, a pretender criar "história", eram dispensáveis - até porque o local tem História, acreditem!). Quem havia de dizer que a "Tasca do Fernando 'Choco' ", saída nos anos 60 do Pioledo para a "Rua das Pedrinhas", com um quintal onde se jogava a "sapa", ia transformar-se neste ambiente!
A comida foi apenas razoável, sem grande garra. Uma primeira visita, já há alguns anos, não me havia deixado qualquer marca especial. A alheira era de qualidade abaixo de mediana, mas talvez seja da época. O polvo era "sereno". Aceitável lista de vinhos, com bastantes regionais, o que é sempre de louvar. Sintetizando: não me impressionou por aí além, mas vou voltar daqui a uns tempos, com companhia larga para se provarem vários pratos e elaborar, então sim!, um juízo final.

1.9.08

Um bom acaso

Charcutaria
Rua Coelho da Rocha, 97
Lisboa
Tel. 213969724

A ideia era almoçar no Stop do Bairro, em Campo de Ourique, lugar que o João Paulo Guerra me atira recorrentemente à lembrança, achando que só opto por soluções "finaças". Mas estava fechado para férias. E já a caminho do vizinho e sempre "reliable" Coelho da Rocha, dou de caras com o Sr. Martins, a quem pergunto: "A sua Charcuteria daqui de Campo de Ourique ainda serve almoços ?". Servia. Já lá não ia há vários anos. E não me arrependi.
Foi este pequeno espaço, com menos de 15 lugares, que antecedeu a abertura do restaurante bem maior, hoje existente na Rua do Alecrim. O ambiente é despretensioso, quase de leitaria de bairro, mas a qualidade da oferta continua excelente. Comida alentejana, doses pequenas mas cuidadas. Boa lista de vinhos, com Douros e outras regiões, que no passado estavam pouco presentes. Algumas sobremesas faltaram à convocatória, mas as existentes eram genuínas. A “velha” Charcutaria, de Campo de Ourique, continua a recomendar-se. Ainda bem, amigo Martins!

29.7.08

Barca Velha 1983

Hoje, almoçando sozinho em casa, rodeado de jornais, na maravilha de silêncio que pode ser um jardim neste "Inverno" de Brasília, foi-me servido um vinho que, logo ao primeiro paladar, me pareceu estranhamente bom. Degustei segunda vez: era, de facto, excepcional. Suave logo ao primeiro gole, macio na "mastigação", mas forte no final, sem ser agressivo e sem acidez excessiva.

Como, na véspera, havia mandado abrir um simpático Quinta do Crasto, que me havia parecido banal, o que atribuí à abertura tardia, pensei que fosse a noite que o tivesse melhorado.

Como diria o Augusto Gil, na "Balada da Neve": "fui ver". E não é que tinha acabado de iniciar uma garrafa de Barca Velha 83, pequena safra comprada nos idos de Londres, nos anos 90 !

O que aconteceu ? Numa visita de rotina à minha adega, há dois dias, tinha apontado, para ilustração do excelente funcionário que me ajuda na respectiva gestão, uma garrafa isolada de um outro vinho, de que só restava uma garrafa, pedindo que o trouxesse para quando eu almoçasse a sós. Ou eu apontei mal ou ele percebeu mal.

E o escolhido acabou por ser o Barca Velha 83. E que têm os leitores a ver com tudo isso ? Nada. Apenas queria transmitir-lhes a certeza de que uma surpresa resultante de um engano (bem caro!) pode transformar uma refeição banal num almoço principesco.

Arrependido? Qual quê! Só se vive uma vez ! E, já agora, garanto, o Barca Velha 83 está magnífico !

24.7.08

Lisboa vista pelo "New York Times"

É sempre interessante, embora com limitações próprias de curtas visitas e, por essa razão, da dependência de "dicas" duvidosas, observar as listas de restaurantes que os cadernos turísticos dos grandes jornais organizam.

Desta vez foi o "New York Times" e o leitor pode ver aqui a selecção dos 57 restaurantes de Lisboa que aquele que, na minha modesta opinião, é talvez o melhor jornal diário do mundo - ao lado do Financial Times, claro - decidiu fazer. Mas ser o melhor jornal generalista não é, necessariamente, sinónimo de ser o mais bem informado em gastronomia.

Dessa longa lista, o NYT tem os seus preferidos: Cop'3, Eleven, Terreiro do Paço, Yasmin e Casa da Comida.

Não conhecendo ainda o Yasmin e não achando o Cop'3 digno de figurar num "top five" lisboeta, nada tenho a objectar aos restantes: Eleven, Terreiro do Paço e Casa da Comida.

Surpresas na lista dos 57 não há muitas.

Estranho, contudo, a menção ao Sua Excelência (que deixou de ser o que era, já há muito tempo)e ao restaurante da Torre Vasco da Gama (julgo que também há muito encerrado) - o que parece traduzir uma lista algo desactualizada e pouco cuidadosa.

Inclusões discutíveis, embora não chocantes: o António (honesto mas banal), o Brasuca (idem; no género, Lisboa tem bem melhor), o Cais da Ribeira (porquê ?), a Cervejaria Brilhante (tropismo turístico, pela certa), ao Restaurante do Chapitô (só se for pela vista) e o Telheiro (também banal).

Os "clichés" que os estrangeiros apreciam estão lá todos, desde alguns com muito mérito, àqueles que só o "típico" justifica. E faltam imensos bons restaurantes...

Mas, vá lá, em termos gerais, o NYT não se sai mal de todo deste exercício.

Mestre Sobral ensina a arte

Um dos mais criativos e geniais artistas da cozinha portuguesa, Vitor Sobral, partilha no seu site receitas, fala dos cursos que promove e também abre um blogue Vida de Chefe, onde se propõe falar da sua profissão.

Agora sim, estamos de volta !

Com uma actualização que vai prolongar-se por algumas semanas, este blogue vai tentar entrar numa certa regularidade.

O "Juvenal" passará a assinar com o seu nome verdadeiro, o qual, aliás, era um segredo de polichinelo.

Veremos se os dois companheiros que, no passado, dedicaram algum tempo a ajudar quem nos lê a "comer melhor" em Portugal, querem acompanhar-nos neste esforço de renovação.

23.1.08

Voltar à mesa

Dentro em breve, prometemos novidades neste blogue

28.9.06

Rebordosa

Maravilhosa experiência a que há dias tive na companhia de uns amigos, muito entendidos na arte de bem comer. Desta feita, e por sugestão dos referidos comparsas, rumámos em direcção à A4 saindo no nó de Campo, indo ao encontro da Rebordosa. Aqui esperava por nós uma casa de pasto, bem rural a que só os apreciadores das coisas boas da mesa têm acesso. Sápidas pataniscas de bacalhau, enchidos caseiros de qualidade e umas taliscas de presunto nacional que só pecou por estar mal curado. Quanto à estrela da noite, o cabritinho (no peso correcto), apresentou-se inteiro, em assadeira tipica e acolitado de arroz de forno, batatinhas assadas e grelos. Uma pequena maravilha é tudo o que posso dizer sobre esta magnifica experiência. Matéria prima de qualidade superior e o cabritinho no ponto certo de assadura e com sabor muito genuino. Foram três cabritos para dez e não sobrou nada...Para terminar em beleza e à descrição, pode-se provar umas rabanadas de eleição ou uma salada de frutas confeccionada na altura. Vinho verde (branco e tinto) muito bom e "batidinho" no momento. Quanto a maduros, o melhor é esquecer e levar umas garrafinhas de casa que o senhor Modesto não se importará. Acresce ainda dizer que o propietário da casa (sr. Modesto) e suas filhas são anfitriões à altura. Quanto ao telefone da casa e uma vez chegados à Rebordosa, perguntem pelo restaurante A Cuba ou, mais simplesmente, pelo senhor Modesto...

ALDINI

24.8.06

Literatura

Alguém que sabe do que fala (e do que come e bebe), João Gobern, acaba de publicar "Boca Doce", um relato culto e cuidado de experiências gastronómicas em restaurantes, maioritariamente portugueses. Boa escrita, com toque pessoal, embora com endereços tradicionais.

23.8.06

Sancho Panza em Matosinhos

Sob o nome de Moxuá (bem vindo!) recebemos esta nota:

Em Matosinhos, em plena zona das marisqueiras, surgiu, não sei se para quebrar a monotonia das ditas, um excelente restaurante que trata as carnes como poucos. Refiro-me ao "Sancho Panza" 229379095, mesmo em frente ao "Majara". Nesta bem decorada casa de capital espanhol, serve-se com nível e qualidade. Carnes de qualidade excelsa temperadas pelos comensais a seu prório gosto na mesa. Alvarinhos portugueses de extrema qualidade rivalizam com os Albariños de nuestros hermanos. Restante carta de vinhos (acondicionados ás temperaturas devidas) ao nível do melhor que por cá se vê. Soube que os actuais proprietários pretendem abrir uma casa congénere em Lisboa. Oxalá o façam e depresssa. Que se cuidem os tradicionais restaurantes do género da capital...Não é nada barato mas a qualidade paga-se bem.

Sobre este comentário, o nosso Aldini confirma:

Meu caro "Moxuá", não posso estar mais de acordo com tudo o que disse relativamente ao "Sancho Panza". Estamos realmente em presença de uma casa que prima pela qualidade extrema das carnes que confecciona. Não esquecer também as excelentes entradas e sobremesas e uma referência particular à bem estruturada garrafeira onde predominam dos melhores néctares que por cá se fazem. De louvar ainda as temperaturas correctas em que brancos e tintos nos chegam à mesa. É caro mas bom.

22.8.06

Trás-os Montes (3) - Douro In

Na avenida marginal da Régua (Av. João Franco, tel. 963 928 050/916 946 870), sobre o Douro, um magnífico restaurante, a não perder. Num primeiro andar, uma sala de recorte contemporâneo, um cozinha com imaginação, com óptima apresentação, serviço atento, carta de vinhos excelente (com o Douro, obviamente, a prevalecer) . Provaram-se míscaros e pimentos à entrada, um bacalhau demolhado ao ponto e duas carnes excelentes. Bebeu-se uma bela reserva de Quinta do Crasto. A conta: pesadota...

Trás-os Montes (2) - Passos Perdidos

Perdida foi a minha paciência - em definitivo - com estes "Passos Perdidos": seis ou sete experiências frustrantes com este restaurante, que muito promete e pouco dá. Apesar de há uns anos ter sido reforçado pela atenção à mesa do excelente Manuel, vindo da restauração lisboeta, a Adega Regional "Passos Perdidos" continua a apresentar uma irregularidade desconfortável, com atrasos de cozinha incompreensíveis, uma liderança da casa pouco profissional e uma visível perda de criatividade. Uma nota: as pataniscas não se fazem assim tão grandes e farinhentas.

Trás-os Montes (1) - Pousada de S. Gonçalo

Saia do IP4, entre Amarante e Vila Real, e almoçe ou jante na excelente Pousada de S. Gonçalo (tel. 255 461 113) em plena serra do Marão. Um menu clássico, mas sempre seguro, com os vários doces amarantinos a fechar. De lamentar, e muito, a pobreza da carta de vinhos. O serviço é insuperável de delicadeza e atenção. Tome o café ou o aperitivo na sala com bar, com a serra aos pés. Quase sempre há lugares, mas não arrisque e reserve nos fins de semana.

15.8.06

Barriguinha... vazia

Caro Agapiano
Influenciado por este excelente blogue fui conhecer o "esforçado" "Barriguinha Cheia". Deixe-me fazer um pequeno resumo da experiencia:para começar um serviço lento, estive entre 10 a 15 minutos á espera da ementa. O vinho Lavradores da Feitoria Sauvignon Blanc 2003 apareceu na mesa tinto; quando pedimos mais pão tinha acabado; os filetes de polvo com arroz de tomate chegou á mesa sem tomate - um arroz branco deslavado - porque o tomate ja tinha acabado. Tudo isto apresentado na mesa e só depois de por nós reclamado houve uma explicação. Enfim gato por lebre.Vila Real merece mais.Um Abraço

A vida é assim: o "esforçado" Barriguinha Cheia parece ter esgotada a sua capacidade de renovação. Nós também já tínhamos notado. Assim, sairá de cena na nossa próxima listagem. Obrigado, anónimo Amigo.

23.6.06

Caro Companhia das Índias

Não posso estar mais de acordo com tudo o que atrás expôs. Realmente há cada vez mais lugares que vivem dos frequentadores, que dão um status muito "in" ou "fashion", independentemente de se sentarem à mesa e pedirem um "bife muito bem passado". São os falsos "entendidos" da comida como aliás de tudo o mais que nos rodeia. São os pretensos donos do saber de... coisíssima nenhuma. Mas enfim quem lucra são os propietários destes novos espaços com conceitos muito dúbios quanto ao que é saber comer bem...

Quanto à "Veja" tem realmente assinalados como referências gastronómicas locais que senão a evitar, pelo menos a pensar bem antes de lá voltar. Sem dúvida e acima de quaisquer suspeitas se encontram os poisos referenciados pelo David Lopes Ramos.

Por último uma boa novidade: dá-se pelo nome de "Salsa e Coentros" 218410990, ali para os lados da av. Brasil, chefiado por uma dupla dissidente da famigerada "Charcuteria" versus "Ourivesaria" de Campo de Ourique e Bairro Alto, que faz jus à casa mãe no que às iguarias diz respeito e a preços sensatos. Vale bem uma visita.

21.6.06

Guias e listas

Cada vez desconfio mais de guias e listas para bem comer. Primeiro, porque parece ter-se estabelecido uma competição cujo título será atribuído a quem apresentar mais nomes na lista. Porém, nesse caso, há uma lista imbatível, e que torna inúteis todos os esforços, que é a lista telefónica ou a sua versão em págimas amarelas. Depois, porque a publicação de cada lista atrai
a lugares eventualmente estimáveis uma chusma de «novos ricos» da mesa, de gente sem lista nem gosto próprio - políticos parolos, empresários labrostes, gestores pacóvios, jornalistas convencidos, etc. - que aparece para se exibir em tudo o que está in. E meus amigos, a questão da frequência é para mim essencial para a avaliação de um bom restaurante.
Vou dar um exemplo. Aqui há dias, lembrando-me de um post que lera no Ponto Come, caí na asneira de jantar no Painel de Alcântara. Risquei-o da minha lista. Primeiro: acrescentaram o número de mesas, diminuindo o espaço vital de cada jantante, e tive que jantar com três vendedores de automóveis a tiracolo que disseram piadas boçais durante todo o repasto. Segundo: a lista está irreconhecível. O Painel, de tão apregoado, cedeu à procura de uma nova clientela, lá levada por muitas e boas recomendações, e agora tem na lista uma dúzia de bifes e dois ou três pratos alternativos.
Quanto à exaustiva lista da Veja, já a folheei, aproveitando para renovar, actualizar e retocar a minha própria lista. Mas também tem disparates que fervem. E omissões inadmissíveis. A seu tempo identificarei uns e outras. O melhor da lista são mesmo as sugestões do David Lopes Ramos. Esse não se engana nem engana.

27.5.06

Veja Lisboa

A exemplo do que faz anualmente para as principais cidades brasileiras, a revista "Veja" acaba de publicar um número especial dedicado aos restaurantes, bares, tascas, pastelarias e vinhos de Lisboa.

Um grupo de bons especialistas nacionais faz uma cobertura exaustiva da oferta na cidade (é pena não cobrir a Linha do Estoril), pelo que este número da "Veja" (3,9 euros) é de não perder por quem gosta de comer bem.

Claro que nem sempre as escolhas finais coincidem com as nossas, o que não significa que sejam piores ou melhores. Que discordâncias temos ? Aqui vão algumas.

Tido como o melhor italiano, o "Gemelli" desiludiu-nos (muito) aquando da última visita. Continuamos a preferir o "Mezzaluna", o "Casanostra" ou o novíssimo "Luca".

Incluído nos melhores portugueses está a estimável mas vulgar "Adega da Tia Matilde". Com justiça, pode comparar-se, por exemplo, com o "Poleiro" ou com o também esquecido "Conventual" ?

Como é da lógica deste tipo de guias, as (muito completas) descrições dos restaurantes apenas sublinham os seus aspectos positivos. É pena tais textos não serem um pouco mais críticos, já que a lista de nomes é demasiado longa, não cuidando de ser criteriosa.

Mas, dito isto, a "Veja Lisboa" é um excelente auxilar para quem gosta de boa mesa.

11.5.06

Dois poisos

O nosso correspondente "Barriga de Freira" (não confundir com o seu primo "Papos de Anjo" ou com o estimável "Toucinho do Céu"), enviou-nos duas sugestões:

ALCÁCER DO SAL -"A Descoberta"Uma aventura interessante. Mesmo em frente ao rio, na margem direita, bem no centro. Uma velha mercearia convertida num pequeno restaurante, simples e alegre, onde se preservou tudo o que valia a pena. Obra de uma imigrante do norte da Europa que se deixou seduzir pelo Alentejo. A proposta gastronómica é de fusão, mas sem confusão. Alentejana de raíz, mas com uns toques originais que nos mostram outras potencialidades. Tudo bem confeccionado e no momento, pelo que não vale a pena ir com pressas. Serviço atencioso.E um doce para quem descobrir onde fica a casa-de-banho..

REDONDO- "O Barro"- Em rua inclinada, quase a chegar ao hospital. Já não se pode passar sem lá voltar!Um pequeno restaurante, muito acolhedor, que é mais como quem vai a casa de alguém. Um duplex.Comida alentejana, basicamente, mas fugindo ao habitual. Imperdíveis as migas gatas. Em tempo de caça, uma confecção soberba das carnes. Garrafeira variada com opção de vinhos de outras regiões.Por ora chega. Voltarei outro dia com outras propostas.Queiram desculpar-me a falta dos doces, mas , contrariamente ao que o meu nome indica, para mim a refeição também acaba na carne. Até breve!

Barriga de Freira

6.5.06

Nova listagem preciosa

Um amigo tripeiro, cuja identificação se não fará para já, mas cuja "expertise" na gastronomia é garantida, enviou-nos uma sua lista pessoal de preferências em matéria de restaurantes, que nos traz novas e interessantes sugestões. Ela aqui vai, para benefício dos leitores:


BRAGANÇA

Solar Bragançano

É o melhor restaurante da cidade. Mesmo no Largo da Sé. Num primeiro andar. Cozinha regional trasmontana. Ambiente acolhedor. Premiado já em vários concursos. A caça marca a ementa e a garrafeira é dominada pelos vinhos do Douro e Trás-os-Montes.

O Manuel

Rua Oróbio de Castro, 27/29 (Junto à Praça do ex-Mercado )
Tel. 273322480
Petiscos e especialidades únicas da Casa. Um prato típico: “ Ossinhos de Assuã “


Real Feitoria

Quinta da Braguinha, Lote A r/c
Tel. 273323050

O mais requintado da cidade. Serviço a condizer. O Senhor Acúrsio Martins deve ter muita dificuldade em sustentar um restaurante destes no Nordeste periférico…


MACEDO DE CAVALEIROS

Estalagem do Caçador

A referência vai para o ambiente único. Acolhedor. Naturalmente que a caça ocupa a ementa. O vinho que se sugere é o da Quinta de Valle Pradinhos, pertencente à Dª Maria Azevedo, a poucos Kilómetros de Macedo de Cavaleiros.
No final do jantar, depois de uma excelente perdiz, sugere-se a prova da velha aguardente da mesma marca. Vejam o rótulo: 50 graus! Boa para tomar deitado… e curar resfriados… O que vale é que os quartos são no primeiro andar…

MIRANDELA

O Grés
Mirandela. (quem entra na cidade, antes da ponte nova vira-se à direita)

É uma instituição. Há anos a fio. É lá que os técnicos da Direcção Regional de Agricultura vão todos os dias almoçar… Convêm marcar.

O Museu do Azeite
Rua da Corriça
Tel. 278251285
Mascarenhas (Freguesia)

Ambiente acolhedor. Enchidos, caça, etc


TORRE DE MONCORVO


O Artur

Para lá da ” posta mirandesa” acrescento que as melhores alheiras de Trás-os-Montes são lá que se comem. Com grelos e uma batata cozida.
O ambiente aproxima-se de um armazém – museu etnográfico…
Não há Presidente ou Primeiro-ministro que por lá não passe para recarregar baterias…


MOGADOURO

A Lareira

Faço uma chamada de atenção: é nesta casa que, a meu ver, se prova a melhor “ posta” de Trás-os-Montes.
Com um singular pastelão de batata. A perdiz não se esquece… Um molho divinal e alguns chumbos do último tiro, ajudam a recordar o repasto.


CHAVES

Aprígio

É necessário passar o hospital novo. O restaurante fica num beco de difícil localização. Mas vale a pena procurar. Muito simples, familiar. Quem gosta de “milhos com entrecosto” não pode passar ao lado.

Hotel Palace
Vidago

Desde logo o edifício. Que merecia estar classificado. Como o Parque frondoso, exemplar.
Uma sala fantástica. Um exemplar de Arte Nova. Uma escadaria de entrada, sumptuosa,
Ambiente único.
Uma cozinha inventiva, sem os tiques da “ novelo cuisine”


VILA REAL


Passos Perdidos
Vilarinho da Samardã ( a meia dúzia de Kms de Vila Real )
Ambiente bonito e acolhedor.
Entradas gostosas.


RÉGUA

Cacho Douro (nas traseiras do Mercado Municipal)

Sala simples. Com ar condicionado que, no Verão, o inferno da Régua, agradece.
Quem aprecia ” polvo” nas suas diferentes maneiras, aqui está uma casa que o sabe fazer.


ARMAMAR

Fonte Nova (atrás da Câmara Municipal)
Av. 8 de Setembro
Tel. 254855387

A especialidade é o “ cabritinho de Armamar”. De leite.
É preciso ir com tempo. Ao jantar.


MELGAÇO


Adega do Sossego
Perto das Termas do Peso
Tel. 251404308

Num pequeno primeiro andar. É preciso marcar. Excelentes entradas que nos levam sem dar por isso.
Lampreia, sável…o rio Minho e o rio Alvarinho.


MONÇÃO

Sete à Sete
Fora de Portas (à entrada da Vila)
Tel. 251652577

Cozinha tradicional. As diferentes formas de ”fazer escabeche”. Lampreia seca. Cabrito.


PORTO


Casa Agrícola
Rua do Bom Sucesso nº 241 (Próximo da Rotunda da Boavista)
Tel. 226053350

No centro do Porto, uma Sala com carácter. Serviço aprimorado. Fica situado numa antiga casa agrícola ao lado do mercado do Bom Sucesso.
Uma cozinha inventiva.


Foz Velha
Esplanada do Castelo, 141. Foz do Douro
Tel. 2266154178

Procura uma “ estrela “ no guia do Michelin. Na cozinha trabalha, pois, um arq. Paisagista… Decoração original.
Impõe-se tempo para degustar, calmamente, combinações culinárias imaginativas.


MATOSINHOS / LEÇA DA PALMEIRA


Arquinho do Castelo
Rua do Castelo, 51
Leça da Palmeira
Tel. 229951506

Saboroso. Cozinha simples mas com qualidade acima da média. Peixe fresco, sempre. Costeletas de sardinha. Peixe no Sal. Vitela assada. Costela mendinha…

António
Rua Óscar da Silva, 2402. Leça
Tel. 229960741

Nos arredores do aeroporto, uma sala onde se manja peixe, particularmente, bem feito.

O Fernando
Pedras Rubras (próximo do aeroporto Sá Carneiro)

O melhor cabrito do Porto e arredores. Tudo começa pela extrema qualidade da matéria-prima. Nem, “em terra dele”, se encontra a qualidade diária, apanágio deste restaurante.
Uma sala muito ampla, onde se sabe cuidar dos Vinhos.


Baltazar
Rua Brito e Cunha 510, Matosinhos
Tel.932080400

Na moda. Sala bonita e ampla. Foi, em tempos, um armazém conserveiro, típico de Matosinhos. Influência argentina na cozinha e na música ambiente.


La Máfia
Rua Brito Capelo, 1133 – Matosinhos
Tel. 229378896

Um restaurante italiano com graça e qualidade. D. Corleone vigia-nos e os padrinhos espreitam-nos das paredes.


GOLEGÃ

Lusitanus
Largo da Feira
Tel. 249977572

Em terra de cavalos, em sítio do puro “ Lusitano”, um espaço onde se provam iguarias ribatejanas. Guisado de favas, por exemplo.



CONSTÂNCIA


Remédio de Alma
Na marginal, em cima do rio Tejo

Influência, clara, da cozinha açoriana. Que, contudo, não esquece o Ribatejo e as suas migas.


LISBOA


O Polícia
Rua Marquês Sá da Bandeira, 112 A (próximo da Fundação Gulbenkian)
Tel.21796350

Restaurante centenário. Com fregueses centenários. Património da cidade e montra da típica cozinha portuguesa.


La Paparrucha
Rua D Pedro V, 18
Tel.213425333

A argentina e a qualidade da sua carne. O bife de “chourizo “. Os magníficos vinhos.


A Travessa
Travessa do Convento das Bernardas, 12
Tel.219302034

Requinte e bom gosto.


ALCÁCER DO SAL


A Escola (antiga escola primária)
Cachopos
Tel. 265612816

Os petiscos alentejanos. Os sabores das coentradas, do cação, das migas, servidos por um ex- professor, numa antiga sala de aulas onde aprendeu as primeiras letras.


PORTEL


Refúgio da Vila
Largo Dr. Miguel Bombarda, nº 8
Tel.266619011

É, na verdade, um refúgio em forma de hotel rural situado no meio da pequena Vila alentejana.
Uma recuperação feliz de património edificado.
Onde se experimentam e combinam receitas em que o azeite, o pão e o porco, marcam os sabores e as conversas.


PORTALEGRE

Tomba Lobos
Pedra Basta Lt 16 R/c ( a caminho de Porta de Alegrete)
Tel. 245331214

Uma decoração atraente que ajuda a recriar um ambiente aconchegante.
Uma cozinha alentejana, reinventada por quem muito viajou.

ELVAS

Taberna do Adro
Largo João Dias de Deus, 1
Vila Fernando
Tel. 268661194

Numa casa da aldeia nasceu este pequeno restaurante, onde se pode passar uma bela noite na conversa, entre provas deste e daquele petisco únicos.


O Pompílio
Rua de Elvas, 96
Tel.268611133

Em S. Vicente, já fora da cidade, é possível saborear caça e enchidos, adoçados por excelentes vinhos. Normalmente na companhia de muitos espanhóis que procuram o que é bom.


ÉVORA

Minho do Cu Torto
Bairro de Nª Srª do Carmo,
Rua Santo André nº2-A


Um antigo moinho recuperado, originalmente, para restaurante.Onde primam “ entradas “ e pratos que nos deixam saudades. Sopa de tomate, por exemplo.



LAGOS


Casa Chico Zé
Sítio da Torre, na margem da EN 125.
Tel. 282798205


Peixe fresco. Óptimos grelhados.
Mesas corridas, onde todos se sentam. Sem cerimónia. O importante é o peixe…

28.4.06

... e o Minho, naturalmente

Só pelo passeio a bucólica Moledo do Minho já merece a pena. Esqueçam por momentos o aroma do sargaço, o iodo e Santa Tecla e visitem o simpático Sr. Alfredo no "Ancoradouro". Comecem por uma perfumada alheira e estendam-se ao comprido no costeletão barrosão resplandecente de alho e coentros, grelhado no ponto, com as batatinhas a nadar nos encarnados resquicios da carnucha. Há um bom tinto do Douro a copo. Termine-se com um dos muitos crepes estaladiços. Um encanto!

BRUNO FONSECA

18.4.06

Alentejo sempre !

Há dias retornei ao "Manuel Azinheirinha" no Escoural e, apesar da última visita ter já acontecido há muito tempo, fiquei mais uma vez com motivos de sobra para lá um dia voltar, pois a cozinha desta casa continua a ser uma das melhores do Alentejo. Os preços é que estão um pouco puxadotes mas a experiência gastronómica faz atenuar esse lado menos positivo e nos dias de hoje outros locais há, que longe da qualidade deste, os praticam sem o minímo pudor. Bem haja Sr. Manuel, pela sua simpatia e simplicidade e pela constância e qualidade da sua mesa. Até sempre!

ALDINI

15.4.06

Benvindo, Palatus !

O nosso correspondente Palatus, lembrou algumas mesas, de facto, interessantes e que ainda não havíamos referido. Trouxe também aos responsáveis pelo blog informação sobre um restaurante em S. Pedro do Corval de que eles não tinham notícia. Aqui vai o seu comentário, na expectativa de recebermos outros:

"Já agora “mando”… mais umas ideais: “O Orelhas” em Queijas, peixe fresquíssimo e não só… tudo bem trabalhado e com garrafeira a condizer; também o “Ponto final”, lá para os lados de Cacilhas (Ginjal), alentejanices mais à beira do Tejo não pode haver; delícia das coisas simples perto de Reguengos na “Adega do Cachete” – São Pedro do Corval. E não me esqueço da “Presuntaria Transmontana” na ribeira gaiense. Se ajudei alguém a trincar com gosto… fico feliz. "

Façam comentários, amigos correspondentes ! Aqueles que acharmos com mais interesse serão "elevados" a posts.

Aldini apela às hostes !

Do nosso infatigável correspondente Aldini, aqui vai um apelo que saudamos:

"É com pena que reparo que os chamados apreciadores da boa mesa têm andado ultimamente um pouco arredados deste blog, facto que me entristece profundamente, pois estava à espera que esta ideia original e meritória continuasse a ser objecto dos mais variados comentários e sugestões porque só dessa forma conseguirá atingir os fins a que os seu mentores se propuseram. Não sei se por falta de tempo ou preguiça, o certo é que nos tempos mais recentes não tenho vislumbrado novos comentários e/ou novas propostas gastronómicas. Será pelo facto de se avizinhar a época balnear e os nosso comensais estarem agora mais preocupados com a silhueta e como tal, terem iniciado uma greve de fome!!!???? Vá lá, há tempo para tudo, saiam um pouco desse marasmo e continuem a produzir comentários e novas sugestões pois só assim poderemos todos continuar a dinimazir este apetitoso bog. E agora que nos aproximamos do Verão, porque não começar a dissertar sobre alguns dos bons poisos situados junto ao mar... "

14.4.06

Peixe em dia de Jejum

Agora que a Primavera começa a querer despontar não há nada como ocasionalmente sair um pouco do bulício da cidade e procurar outras paragens.É neste contexto que sugiro que rumem à Comporta, passem no Carvalhal e depois prossigam até à praia do Pego onde irão encontrar o "Aqui há Peixe" -265 490 048 - mesmo em cima da praia com uma vista deslumbrante sobre o mar e a serra da Arrábida. Valerá bem a pena perder pouco mais de uma hora no percurso que nos leva a esta renovada casa de bem peixe comer. Escusado será dizer que o prato forte deste restaurante faz jus com inteira justiça ao nome que o mesmo ostenta, havendo sempre, para os não amantes do género, a opção de se deleitarem com a melhor picanha de Lisboa e arredores. Peixes e mariscos de inolvidável frescura e qualidade, arrozes malandrinhos para os acompanhar e uma boa garrafeira para os regar a preceito. Os preços não serão os mais simpáticos mas lembrem-se que o "setting" é do melhor que se pode encontrar por estas bandas. Faz até lembrar o Brasil... Os fins de tarde à boleia de um reconfortante gin tónico a mirar o pôr do Sol, embalados pelo som dos Café del Mar, traduzem bem as coisas boas que a vida por vezes nos proporciona e faz-nos esquecer os problemas da vida e os cerca de 130 Km percorridos desde Lisboa. Evitem as "tias" no mês de Agosto. Miguel Reino o proprietário, será um anfitrião à altura...
ALDINI

13.4.06

Vamos às Hortas !

Local a ter em conta e bem no coração de Lisboa é o " Horta dos Brunos" (213 153 421), ali para os lados da Estefânia, na rua Cidade da Horta. Casa despretensiosa mas com matéria prima excelente. Peixes e carnes do melhor e cozinhados de forma irrepreensível.Garrafeira muito boa e a preços sensatos. Sobremesas caseiras e de babar...Fundamental reservar mesa.

Aldini

Os piratas do vinho

É urgente começar a nomear e a denunciar os restaurantes que se dedicam a encher desmesurada e regularmente os cada vez mais enormes copos de vinho, com os empregados ansiosos por aquele momento de glória que é virem perguntar um dos presumíveis pagantes se quer que se abra uma nova garrafa. No final da refeição, é vulgar que o líquido de uma garrafa acabe por ficar nos copos, particularmente de quantos bebem pouco, como é muitas vezes o caso de algumas senhoras.

Esta forma descarada de pirataria tem de ser combatida

6.4.06

Cais do COLUNAS

Para os amantes de caça não há como viajar rumo à Amadora (Venda Nova) e deleitar-se com todo o tipo de iguarias que esta castiça casa oferece. Estou a referir-me ao "Colunas" (214 990 660) casa simpática e acolhedora, onde dos impúberes passarinhos aos tordos fritos ou em arroz, não há bicho que não se possa comer pois até zebra e crocodilo se podem experimentar. Há dois dias passei por lá com mais dois amigos e o deleite foi geral com a soberba cataplana de faisão que nos foi servida. A carta de vinhos é extensa e de grande qualidade com predominância para os alentejanos e não será difícil encontrar algumas raridades.Além do mais os vinhos são servidos a temperaturas condizentes com o gosto de quem realmente os aprecia. Preços sensatos.

ALDINI

13.3.06

Vila Real - a pedido...

Um anónimo correspondente de Vila Real queixou-se de uma aparente falta de referência a restaurantes daquela cidade na lista que foi apresentada. Enganou-se: havia dois, como poderá constatar se ler tal lista com mais cuidado.
Mas vamos aos factos e eles não são famosos. Vila Real nunca foi um farol da gastronomia. Depois de anos em que o "Chachoila" e a "Toca do Lobo" apareciam como duas opções - com ar popular e preços nem tanto - bastante interessantes, firmou-se o "Espadeiro" como um pouso seguro na cidade - muito por obra e graça do excepcional dedo gastronómico da esposa do proprietário, o Sr. Pipa. Mas o "Espadeiro" passou de moda, está deserto e subsiste penosamente pela teimosia dos donos e de quantos insistem em não deixar cair a casa.
A nosso ver, Vila Real vive hoje da boa qualidade do "Museu dos Presuntos", onde o Sr. Silva mantém uma lista limitada mas assente em produtos de grande qualidade, para além da magnífica garrafeira, e do esforçado "Barriguinha Cheia", que nos parece estar a declinar um pouco nos últimos anos (e a casa não tem muitos). Fora isso, houve uma esperança não confirmada no "Pucarinho" (com um serviço muito lento e preços a não condizer), a "Maria do Carmo" continua a ser um local sólido mas pouco inventivo, o "Paulo" repete com honestidade a lista de há anos, o "Amaral" está sem grande garra, a "Quinta do Paço" é uma grande superfície com altos e baixos, o "Mateus" é sempre a mesma coisa, o "Calvário" está-se a tornar nisso mesmo, a "Cozinha do Vale", na Campeã, não se liberta do estigma da gastronomia de hotel e o "Chachoila" é quase só memória. Há algo mais digno de nota ? O "Terra de Montanha" vive do típico dos tonéis, o "Nevada" é para esquecer, o "Mira Corgo" é para não lembrar, o resto é bom nem falar. Ah! Para variar, pode ir-se ao "Lameirão" (nas torres à saída para o Norte) ou relembrar as velhas tascas no espaço de saudade que é hoje o "Alemão" (junto à Gomes) ou na que remanesce a meio da Rua Miguel Bombarda, logo a seguir ao Cabo da Vila.
Assim, prezados leitores, ou optam pelo "Museu dos Presuntos" ou pelo "Barriguinha Cheia". Ou então saem da cidade: para Norte, em Vilarinho da Samardã, podem ter um bom dia do "Passos Perdidos" (onde já tivémos dias menos bons, há que confessar); para sul, vão com segurança à "Pousada de S. Gonçalo", pela IP4 (o que são hoje 18 km ?), e podem ter sempre a garantia de uma óptima refeição. A menos que a próxima alienação do espaço altere a cozinha.
Assim, caro correspondente vilarealense anónimo (porquê ?), a sua queixa bairrista parece deslocada. Ou vive de saudades ? Da "Cardoa", da "Toca da Raposa", da "Areias", das "sandes" do "Necas", dos "baldes de três" no "Morrinha", no "Barracão", no "Alcino" ou no "António" da Travessa, do "Churrasco", da D. Auta, do velho "Excelsior", do "Coelho" de Abambres, do Fernando Choco ? Fosse eu de Vila Real e teria muito mais cuidado com as escolhas, amigo anónimo.

Cartaxo revisitado

Porque este blog também se faz de prosa, aqui vai a contribuição do nosso correspondente JOÃO ANTELMO sobre a memória do Cartaxo:
De comidas e bebidas no Cartaxo sabia o Garrett. A caminho do Vale de Santarém - onde vivia a "Menina dos Rouxinóis", a doce Joaninha dos olhos verdes que o seu "alter ego" Carlos também queria comer... - o autor fala com grandes encómios do vinho local.Lembra as "espantosas borracheiras" que dele tomaram os mais famosos generais ingleses. E o Divino apostrofa assim a "conservativa Albion":
"Como pode uma leal goela britânica, riscada pelos ácidos anárquicos daquelas vinagretas francesas, entoar devidamente o God-save-the-King em um toast nacional! Como, sem Porto ou Madeira, sem Lisboa ou Cartaxo, ousa um súbdito britânico erguer a voz, naquela harmoniosa desafinação insular que lhe é própria e que faz parte do seu respeitável carácter nacional, faz; não se riam: o inglês não canta senão quando bebe... aliás quando está BEBIDO."
Eu, quando peregrinar da próxima vez pelo Ribatejo, vou visitar a Adega do Avó. Talvez por lá passe uma menina de olhos verdes.

9.3.06

A águas pr'o Cartaxo

Do nosso estimado correspondente MMTorrão, aqui vai uma sugestão no Cartaxo, para onde o António Silva, no "Pátio das Cantigas", ia "a águas" e onde parece útil ir por outras razões:

Parabéns por este blog que muito me apraz consultar. Há dias, tive que ir ao Cartaxo e aproveitei para ir conhecer um restaurante que vi aqui afixado num comentário a um dos posts - a Adega do Avô. Posso dizer-vos que é realmente irrepreensível em tudo: decoração, serviço e iguarias. Começa por apresentar cerca de 25 entradas diferentes, qual delas a mais apetitosa, desde umas favas com hortelã a uma chanfaninha de comer e chorar por mais, passando por um queijo regional amanteigado delicioso. Da ementa, constam pratos bem elaborados e confeccionados, na hora, com produtos frescos e de primeira qualidade. Recomendo o cabrito assado na telha, tenro, alourado e suculento como poucos. Sobremesas tradicionais e uma lista de vinhos bem apessoada. Simpatia e discreção compõem o ambiente numa decoração rural de bom gosto. Preços que não atormentam. Aos fins-de-semana, pelo que soube, convém marcar mesa porque é filosofia da casa só servir o número de refeições que permita servir com qualidade, evitando a industrialização do serviço.Entre a Azambuja e o Cartaxo, nos Casais da Amendoeira.

Sempre que possível, pedíamos aos nossos correspondentes que indicassem o endereço e, principalmente, o telefone do locais que referirem. E estimulamos o contraditório com os nossos leitores: quem não concordar com as opiniões expressas diga-o.

O STOP do Bairro

O restaurante Stop do Bairro, na Rua Tenente Ferreira Durão, em Campo de Ourique, tem quase tudo para não ser uma casa de referência. O espaço é acanhado, a decoração é banal e é difícil arranjar mesa. Até porque o Stop não aceita marcações. Mas tudo o que o Senhor João serve à sua clientela habitual é de confiança, bom, abundante e bem confeccionado. A grande questão é conquistar a simpatia do Senhor João, para o que é necessário saber comer. Lembro-me, certa vez, de entrarem três clientes, sentarem-se a uma mesa e serem atendidos pelo próprio Senhor João. Pediram três bitoques bem passados. O Senhor João virou-lhes as costas, chamou um empregado e disse-lhe: Atenda estes senhores e eles que se despachem.
O Stop do Bairro é a casa de jantar de muita gente em Campo de Ourique. Durante anos, jantávamos – eu e ela – lá quase todos os dias. De tal maneira que, como dizia outro habitué, quando o Senhor João fechava para descanso do pessoal, lá tínhamos que ir «jantar fora». Quase toda a gente se conhece e o Senhor João conhece os gostos de toda a gente. Podemos confiar-lhe a escolha. Nomeadamente a escolha do precioso líquido. A garrafeira é soberba mas só mesmo o Senhor João sabe o que tem no anexo.
No Stop a lista é extensa, os preços são moderados e a comida é verdadeiramente caseira, confeccionada pela guineense “Branca de Neve”, sob a supervisão do Senhor João. Ou haverá outro restaurante que tenha na lista cachuchos fritos com arroz de grelos? Ou caras de bacalhau? Ou polvo guisado à açoriana, à moda da terra do dono da casa? A não perder a cabidela de galinha, às sextas-feiras, prato que um cliente de longa data, agora ministro, fará questão de pedir não só para inspirar confiança aos consumidores. É porque é mesmo boa.
O Stop é paragem obrigatória no bairro.

Acima de Braga

ALDINI volta a deslumbrar-nos:

Relativamente a Braga e ao excelente leque de escolhas efectuado, gostaria contudo de fazer menção a um local de visita obrigatória para os amantes da boa mesa. Refiro-me ao "Arcoense" ali para os lados do Palácio da Justiça (tel: 253 278 952), onde por certo irá ficar com vontade de lá sempre retornar, tal a imensa qualidade dos produtos ali confeccionados. Não há bom garfo que resista às cerca de 17 entradas, todas elas de excelsa qualidade. Para quem tem ainda "andamento" para o prato propriamente dito, há igualmente garantia de se lambuzar com as sugestões do dia apresentadas pelo proprietário da casa. Peixe e carne da mais fina qualidade. Passem por lá e digam-me se não valeu a pena...

Ó ALDINI, já estou a descer do Sameiro...

7.3.06

Casa Nanda

Assinada pelo nosso sabedor correspondente ALDINI, recebemos a seguinte e valiosa contribuição:

A Casa Nanda no Porto, na rua da Alegria, 394, não sendo um local para impressionar a vista, é contudo um exemplo, cada vez mais raro, do uso das melhores matérias primas na confecção dos seus principais pratos. Os filetes de pescada com arroz de berbigão são do melhor que por cá se come, podem bem crer. A lampreia é talvez a melhor que no Porto se pode degustar. Reabriu no passado domingo, com cara nova e após curta paragem motivada por um incêndio que destruiu parcialmente as antigas instalações. Não se esqueçam de reservar mesa : 225370575.

Estimulamos os nossos leitores-frequentadores a produzirem contribuições idênticas, através dos "comentários", reservando-nos o natural direito de seleccionar os textos mais adequados.

2.3.06

Chaves

Comentaristas do PONTO COME têm manifestado reservas quanto à selecção do "Carvalho" como o único restaurante de Chaves nas notas de correcção à nossa despretensiosa lista nacional.

A subjectividade é a palavra de ordem de um blog de gostos, mas sempre adiantaria que a alternativa sugerida - a adega "O Faustino" - está longe de o poder ser. A menos que o ambiente seja o único factor prevalecente: "O Faustino" é uma bela antiga garagem, transformada inicialmente em simples tasca, depois reconvertida em lugar mais sofisticado para petiscos, um pouco à saudável moda espanhola (.. e a Galiza ali tão perto!). Mas a sua muito discutível comodidade, o lento serviço (de fazer perder a paciência a um Santo na terra deles) e a qualidade (apenas razoável) da comida não nos merece destaque particular.

Se uma alternativa existe em Chaves ao "Carvalho", ela será sempre o popular e excelente "Aprígio", num lugar recôndito onde se vai pelos milhos à transmontana e pelo divinal leite-creme.
É claro que sempre pode ir para a (segura mas pouco imaginativa) gastronomia de hotel da "Cozinha do Convento" no Forte, para a longa (e demasiado ambiciosa para manter a qualidade) lista da "Talha", junto ao Quartel, ou optar pelo simples (mas muito saudável) "Leonel", à saída para Valpaços.
Uma nota final: se vai de Chaves para sul, pare nas Pedras Salgadas e pergunte ao Francisco o que tem para lhe oferecer no honestíssimo "Conde", junto à antiga estação ferroviária. E - faça-me esse favor - proteste pela oferta de vinhos, para ver se o convencemos a melhorar a carta.

28.2.06

A saber

"La destinée des nations dépend de la manière dont elles se nourrissent"

Brillat-Savarin
d'après João Antelmo



Visitas

Embora não tenhamos qualquer pretensão em ser conhecidos urbi et orbi, naturalmente que ficamos gratos pelas amáveis referências feitas ao Ponto Come no Bloguítica e em O Insurgente.

E, já agora, muito obrigado pelas sugestões adiantadas nos comentários feitos. Todas são muito bem vindas. A seu tempo, vamos ter em consideração tais contribuições para uma revisão geral da nossa lista de escolhas. Não somos infalíveis, longe disso...

25.2.06

Memória - 1 - Imperial do Campo Pequeno

O cenário não era muito promissor, para quem entrava pela área da tasca, sempre apinhada de “classe operária” barulhenta, com o ambiente de lugares lisboetas do passado, tonéis ao fundo e cheiro a serrim. Com a cabeça quase a desaparecer, movimentavam-se atrás do balcão uma figura com óculos de fundo de garrafa e um outro empregado redondo e sempre sorridente, que aviavam das melhores “sandes” de presunto da cidade, A sala, separada por um tabique, tinha fileiras de mesas, lugares lado-a-lado e frente-a-frente, toalhas e guardanapos de papel, ambiente solto e galhofeiro ao almoço, mais familiar e “tête-à-tête” ao jantar. Na cozinha, cuja azáfama se seguia à distância, pontificava a simpática dona da casa, cara fresca arredondada, auxiliada, entre outras, por uma vetusta senhora que parecia saída dos tempo do Fernando Pessa – ele também um cliente habitual, tratado com grande carinho. O dono fazia a sua aparição junto dos “habitués”, que eram muitos, anotando falhas e lembrando o serviço em atraso. A lista era curta, verde por fora, num plástico sebento, com acrescentos à mão. A “Imperial” fazia jus ao nome com uma óptima cerveja, que acompanhava camarões, antecedendo os pratos “substanciais”, em travessas de alumínio, de que recordo uma recomendável vitela assada e o cozido do sábado. Por cansaço do dono a "Imperial" fechou já há alguns anos. É a vida!

24.2.06

Autoria

Contrariamente ao divulgado hoje numa simpática notícia de um jornal diário, este não é um blog individual. É da responsabilidade de duas pessoas, com gostos diferentes e experiências díspares. E assim continuará a ser.

Correcções necessárias

Uma reflexão mais aprofundada leva a algumas correcções à lista inicial.

- o "Carvalho" em Chaves.
- a "Maria Rita" em Mirandela.
- a "Casa Filipe" em Lamego.
- a "Mariana" em Afife.
- o "Napoléon" em Caminha.
- o "Ibrahim" em Âncora.
- a "Taberna do Valentim", em Viana do Castelo.
- o "Camelo" em Seia.
- o "Praça Velha" em Castelo Branco.
- a "Adega do Monhé" em Vila da Feira.
- o "Vidal" em Almas da Areosa.
- o "Manjar do Marquês" em Pombal.
- o "Luar de Janeiro" em Évora.
- o "Fernando" em Pedras Rubras.
- o "Sapo" em Irivo.
- o "Caçador" em Viseu.
- o "Os Antónios" em Nelas.
- o "Alengarve" em Mértola.

Algumas sugestões mais ? Algumas reservas ?

Literatura comestível 1

«Jacinto, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e rescendia. Há anos que o fidalgo não sentia aquela fome. E foi quando, abalando o sobrado, surgiu a rija moça de peitos trementes que pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas.»

Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras

23.2.06

As minhas mesas - 1 - "O Painel de Alcântara"

Nos idos de 87/88, comecei a frequentar o "Painel". Estava aberto há pouco. Havia então por lá a Zezinha, sempre gentil, ao balcão, do lado esquerdo de quem entrava naquela casa pequena e esconsa, situada no dédalo operário de Alcântara, um pouco além do muito estimável "Alazão", perto do simpático, mas instável, "Cuidado com o degrau". Seco de carnes, agitado no gesto, educado na atitude, o Cardoso era (e é) um mouro de trabalho, que ia às 5 da matina ao mercado sacar, para nós, os melhores produtos. Tinha então o louro Zé na cozinha (onde ele próprio está hoje), que entretanto desapareceu da circulação, depois de termos conseguido, aí por 90, evitar-lhe por algum tempo a incorporação militar (numa conspiração de "bloco central" baseada em meras, mas consistentes, considerações egoístico-gastronómicas). O cardápio era simples: abriam o queijo e o presunto, com bom o vinho da casa, seguia-se uma lista farta, as pataniscas com o insuperável arroz de feijão a dominar (lembra-se, Alfredo ?), o excelente cabrito assado, o cozido das 4ªs e as favas guisadas com entrecosto, capazes de humilhar as primas de Tormes. Depois, o "Painel" alargou-se à casa ao lado, a Zezinha foi-se pela vida, o Cardoso casou, teve filhos, chamou os irmãos, houve noites com fados, a casa entrou (felizmente) na moda da noite lisboeta. Mas o nosso Cardoso não desistiu: ficou sempre pelo "Painel", não adormeceu à sobra do sucesso. Perdeu (contra o meu conselho) a aposta ousada de tentar recuperar a "Cesária", mas manteve incólume, com o seu trabalho, a grande qualidade da sua comida e o seu serviço ímpar. O meu amigo Cardoso é um grande Senhor da restauração lisboeta, um homem bom e um excelente profissional. Lisboa, por natureza, não reconhece méritos; se outra fosse a atitude da cidade, o Cardoso merecia uma medalha. Assim, tem apenas o nosso reconhecimento e a amizade sincera de quem o estima. Conhecendo-o, acho que lhe chega.
"O Painel de Alcântara", Rua do Arco, 7, tel. 213 965 920, fecha ao domingo e 2ª quinzena de Agosto. Estacione em casa...

22.2.06

Tascas do cimo de Portugal

Fumeiro caseiro na brasa? Azeitonas com mel? Feijão-frade com alheira? Arroz de feijão com bacalhau frito? Leitão bísaro assado no forno a lenha com batata assada? Milhos com costelas? Vagens secas com fumeiros diversos? Carne barrosã assada no forno a lenha? Cozido à barrosã? Arroz de fumeiro? Rabanadas com mel? Filhoses de jirimum?
Fornecemos-lhe o mapa do tesouro:

Casa da Amoreira – Canaveses (Valpaços)
Casa de Carvalhelhos – Carvalhelhos (Boticas)
Casa Os Três Lagares – Redondelo (Chaves)
Casa de Padornelos – Padornelos (Montalegre)
Casa de Souto Velho – Praia de Vidago (Vidago)
Casa de Vilar – Lugar da Lavra (Vilar).

Siga as sugestões e diga que vai daqui...

21.2.06

Citação

Do nosso leitor JOÃO ANTELMO recebemos;

"La table est le seul endroit où l' on ne s' ennuie jamais pendant la première heure."

De que outro lugar se pode dizer o mesmo? Serei leitor atento e participante

Bem vindo à mesa

Lampreia... enquanto é tempo

Em Lisboa, a cabidela do precioso ciclóstomo, que entra agora em todo o esplendor na sua época, é servida em muitos e variados locais.
Mas cuidado com as imitações. Tome nota de duas sugestões de absoluta confiança para verdadeiros conhecedores:

- Escadinhas da Cruz da Pedra
Rua Cândido Figueiredo, Benfica
21 778 03 86
- Faz Frio
Rua D. Pedro V, ao Príncipe Real
21 346 18 60

Convém marcar e evitar os almoços das quintas-feiras, dias em que se reúnem animadas e imprevisíveis tertúlias lampreistas.
E bom proveito.

19.2.06

Um selecção para brasileiros


Chegou ao nosso conhecimento esta lista de bons restaurantes portugueses, aparentemente destinada ao público brasileiro.

Que tal iniciarmos o PONTO COME a partir desta escolha ? Escrevam, critiquem e, principalmente, façam sugestões.

Trás-os-Montes

Bragança

D. Roberto
Estrada Nacional 218, Kl. 7, Gimonde
Tel. 273 302 510

Saindo de Bragança em direcção a Espanha, pela estrada 218, encontrará em Gimonde um excelente restaurante com cozinha nortenha, onde os pratos de caça dominam, com óptimas compotas e licores, num ambiente rural criado a partir de uma antiga taberna.

Alternativas próximas: em Bragança, o “Solar Bragançano” (tel. 273 323 875); em Macedo de Cavaleiros, a “Estalagem do Caçador” (tel. 279 939 184); e, em Miranda do Douro, a “Balbina” (tel. 273 432 394).

Torre de Moncorvo

O Artur
Lugar do Rebentão, Carviçais
Tel. 279 939 184

Neste já tradicional pouso gastronómico na pequena aldeia de Carviçais, na estada 220, entre Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, serve-se uma excelente “posta mirandesa”, bem com outras especialidades no churrasco. O ambiente é de grande informalidade.

Alternativas na região: em Mogadouro, “A Lareira” (tel. 279 342 363); em Sendim, a célebre “posta” na “Gabriela” (tel. 273 739 180).


Pinhão

Rabelo
Hotel Vintage House
Pinhão
Tel. 254 730 230

Bem no centro do Pinhão, perto da Régua, com panoramas inesquecíveis em redor, fica a “Vintage House”, uma estalagem-hotel com grande nível de conforto e um restaurante que dispõe de cozinha de elevada qualidade.

Alternativas próximas são, na Régua, o recente “Douro In” (Av. João Franco, tel. 254 323 009); em Vila Real, o “Museu dos Presuntos” (Avenida Cidade de Orense, 43, tel. 259 326 017) ou o “Barriguinha Cheia” (Rua Cidade de Espinho, 115, tel. 259 321 266).


Minho


Melgaço

Panorama
Rua do Mercado
Melgaço
Tel. 251 410 400

Instalado no inesperado topo de um mercado, este restaurante converteu-se, de há muito, numa das boas razões para visitar Melgaço, a cidade mais setentrional de Portugal. Depois da panóplia das entradas, poderá rever com vagar a cozinha nortenha, acompanhada com vinhos de qualidade (experimente os verde-brancos da região). Na época, recomenda-se a lampreia.

Uma óptima alternativa muito próxima é a “Adega do Sossego” (tel. 251 404 308), em Paderne, no lugar do Peso; mais a Sul, em Paredes de Coura, recomenda-se sempre fiável “O Conselheiro” (tel. 251 783 592).


Ponte de Lima

A Carvalheira
Arcozelo
Tel. 258 742 316

Esta vila histórica que se recusa a ser cidade, capital do turismo de habitação, é também uma terra de boas tradições gastronómicas, onde são famosas as “papas de sarrabulho”. Na margem oposta do rio Lima, em Arcozelo, numa pequena moradia no meio de uma quinta, foi criado um restaurante com excelente cozinha regional minhota.

Alternativas próximas: junto ao campo de golfe de Ponte de Lima, o surpreendente “Bocados” (tel. 258 942 501); em Santa Marta de Portuzelo, na estrada 202, já perto de Viana do Castelo, o “Camelo” (tel. 258 839 090) ou o “Grill – O Costa do Vez” (tel. 258 516 122), em Arcos de Valdevez.


Braga

Abade de Priscos
Praça Mousinho de Albuquerque (Campo Novo), 7, 1º
Tel. 253 276 650

Numa bela praça antiga, após uma escada que parece dar acesso a uma simples pensão de província, encontrará, no primeiro andar, um restaurante com uma surpreendente lista, que consegue afastar-se, com criatividade gastronómica, da cozinha minhota convencional. Na sobremesa, deve provar-se o pudim que dá o nome à casa.

Braga é terra de muito bons restaurantes. Como alternativas, sugiro, nas proximidades, o tradicional “Inácio” (tel. 253 613 235); junto ao santuário do mesmo nome, o “Sameiro” (tel. 253 675 114); e, numa das saídas da cidade, em S. Frutuoso de Montélios, o “São Frutuoso” (tel. 253 623 374). Se quiser dar-se ao trabalho de percorrer menos de três dezenas de quilómetros, siga a estrada 103 (saída para Chaves), até ao desvio à esquerda para S. João de Rei, onde terá encontro com um dos mais famosos bacalhaus do país, no “Victor” (tel. 253 909 100).


Moreira de Cónegos

São Gião
Av. Comendador Joaquim Almeida de Freitas
Tel. 253 561 853

Entre Guimarães e Vizela, vale a pena procurar este oásis de comida nortenha, com uma lista farta – vários bacalhaus, caça e até “tripas” - e um ambiente muito simpático, com lareira no inverno.

Alternativa, interessante e muito próxima, é o despretencioso e popular “Cá te espero”, em Rebordões (tel. 252 852 500).


Porto e arredores


Porto

Aleixo
Rua da Estação, 216
Tel. 225 370 462

Perto da Estação ferroviária de Campanhã, este excelente restaurante, que já é uma referência na cidade, é famoso pelos seus filetes de pescada, mas as opções são bastante variadas.

Na área, as melhores alternativas são “A Cozinha do Manel” (Rua do Heroísmo, 215, tel. 225 363 388) e o “Lagosteiro” (Av. Fernão de Magalhães, 1180, tel. 225 366 678).


Bull & Bear
Avenida da Boavista, 3431.
Tel. 226 107 669

Para o meu gosto, é talvez o melhor restaurante do Porto. Requintado, serviço atento e uma gastronomia inventiva e muito cuidada. Fica situado num prédio moderno, à esquerda de quem desce a Avenida da Boavista, em direcção à Foz do Douro.


Cafeína
Rua do Padrão, 100
Tel. 226 108 059

No seio da Foz velha, já muito próximo do mar, num ambiente cativante e de muito bom gosto, tornou-se num dos locais mais procurados da cidade, com óptima comida, com toque italiano.

Uma opção também simpática é, do outro lado da rua, o “Terra” (Tel. 226 177 339), dos mesmos proprietários, ou, não muito distante, o magnífico “Foz Velha” (Tel. 226 154 178) ou o já clássico “Dom Manoel” (Av. de Montevideu, 384, tel. 226 172 304).


Dom Tonho
Cais da Ribeira
Tel. 222 004 307

Bem no centro da clássica Ribeira, de onde partem os barcos para os passeios no Rio Douro, este restaurante alia uma sólida comida nortenha, com grandes especialidades em cada dia da semana, com um ambiente muito acolhedor.


Paparico
Rua Costa Cabral 2343
Tel. 225 400 548

Pode ser um pouco difícil lá chegar, mas vale bem o esforço. A comida apresentada pelo António Cardoso, assente numa ementa deliberadamente limitada, com garantida genuinidade dos produtos utilizados, tornam este pequeno restaurante um templo raro de boa gastronomia, onde só se servem jantares.


Portucale
Rua da Alegria, 598
Tel. 225 370 717

Há muitos anos que este restaurante se tornou num clássico da cidade. Situado no topo de um prédio, tem um ambiente um tanto “business” ao almoço, compensado por uma excelente e sólida cozinha portuguesa.

Em flagrante contraste de ambiente, encontrará no nº 394 da mesma rua, o magnífico popular “Casa Nanda” (tel. 225 370 575), com as melhores tripas do Porto.


Sessenta-Setenta
Rua Sobre o Douro, 1A
Tel. 223 406 093

Descendo a rua da Restauração, a caminho do Douro, uma ruela à esquerda leva-nos a este belo espaço, com vista sobre o rio, que já se firmou como um dos locais mais interessantes e inventivos da gastronomia da capital nortenha. Chegue tarde para jantar.


Matosinhos

Trokó Paço
Rua Roberto Ivens, 752 A
Tel. 229 387 502

Aqui só há bacalhau, nas suas diversas maneiras de o tratar, mas sempre bom. Está tudo dito.

Alternativas na área são imensas, pelo que teremos de ser muito selectivos: ainda em Matosinhos, a “Casa da Boa Gente” (tel. 229 380 750), conhecida como “o Malcriado”, para peixe, e a “Marisqueira Antiga” (tel. 229 380 660); em Leça, o clássico “O Chanquinhas” (tel. 229 951 884) e, para matar saudades, o belo “O Brasileirão” (tel. 229 995 513).


Veleiros
Rua Almeiriga Norte, 2520,
Perafita
Tel. 229 958 531

Chegar à praia de Perafita leva algum tempo, mas, depois, terá a oportunidade de saborear do melhor peixe que se serve no Norte de Portugal.



Beiras, Estremadura e Ribatejo


Valhelhas

Vallécula
Tel. 275 487 123

No largo central de Valhelhas, uma aldeia nas faldas orientais da Serra da Estrela, próximo de Belmonte (em cuja Pousada também se come soberbamente), este pequeno restaurante, dirigido por Luis Castro e sua mulher, que apresenta sempre produtos de grande qualidade, está a firmar-se como uma referência gastronómica da Beira Interior. Vale bem a viagem.


Gouveia

Júlio
Rua do Loureiro, 11
Tel.238 498 016

Em Gouveia, todos saberão dizer-lhe onde fica o Júlio, de há muito um dos mais conceituados poisos beirões de boa cozinha, onde o arroz de carqueja é uma imagem de marca, mas com uma lista rica de cozinha tradicional portuguesa.

Boas alternativas próximas: em Carrapichana, o “Escorropicha’Ana” (tel. 271 776 691); e, em Folgosinho, “O Albertino” (tel. 238 745 266).

Nelas

Bem Haja
Rua da Restauração, 5
Tel. 232 944 903

Um belo espaço rústico, construído a partir de um lagar, com óptima comida e vinhos da região.

Viseu não fica longe de Nelas,pelo que se pode optar, como alternativa, por uma ida ao típico “Cortiço” (tel. 232 423 853), onde se cultiva a boa memória de D. Zeferino, o seu saudoso fundador.


Montemor-o-Velho

Ramalhão
Rua Tenente Valadim, 24
Tel. 239 689 435

Tem duas entrada este marco gastronómico em Montemor-o-Velho, na estrada de Coimbra para a Figueira da Foz. Mas a sua saída será sempre feliz, depois de ter apreciado o tratamento imaginativo que este restaurante dá algumas receitas tradicionais portuguesas. E o ambiente em que tudo se passa não lhe será indiferente.

Uma interessante alternativa, em Cantanhede, é o farto “Marquês de Marialva” (231 420 010), onde terá de resistir à tentação das entradas.


Buçaco

Palace Hotel
Luso
Tel. 231 930 101

Quem conhece o Real Gabinete Português no Rio vai encontrar similitudes interessantes no Grande Hotel do Buçaco. Uma refeição com toque francês, no manuelino tardio da sala de jantar, é uma experiência rara. Convém também não perder o vinho especial da casa.


Coimbra

Arcadas da Capela
Hotel Quinta das Lágrimas
Rua António Augusto Gonçalves
Santa Clara
Tel. 239 802 380

Na bela casa senhorial da quinta onde Pedro e Inez desenharam a sua tragédia, na margem do rio Mondego oposta a Coimbra, está hoje um excelente hotel, dotado de um restaurante “gourmet” de muito bom nível, num ambiente muito acolhedor.

Leiria

Tromba Rija
Rua Professor Portelas, 22
Marrazes
Tel. 244 855 072

Encontrar Marrazes, a partir de Leiria, pode não ser fácil, mas não desanime. O perigo estará em que pode ser tentado a perder-se demasiado nos imensos petiscos na sala onde lhe são oferecidas as entradas, deixando-o sem apetite para os pratos substanciais que se seguirão. Ir a Portugal sem experimentar este restaurante é privar-se de uma experiência única.

Uma alternativa simpática na área é “O Casarão” (tel. 244 871 080), na estrada nacional nº 1, entre Leiria e a Batalha.


Fátima

Tia Alice
Rua do Adro
Ourém
Tel. 249 531 737

Poucos quilómetros depois de Fátima (na direcção de Ourém, na rotunda sul de Fátima), situa-se este magnífico restaurante, numa cave renovada com muito bom gosto. Óptima comida de matriz caseira e boa garrafeira. Já é considerado o quarto “segredo” de Fátima…


Cartaxo

Condestável
Ereira
Cartaxo
Tel. 243 719 786

Perto de Aveiras de Cima, junto à autoestada A1 que liga Lisboa e Porto, encontrará um ambiente inesquecível, neste espaço que Luis Suspiro criou e onde lhe proporcionará uma refeição de grande requinte, cujo menu fixo varia ao longo do ano.


Lisboa e arredores

Lisboa

Bar Procópio
Alto de S. Francisco
Tel. 213 852 851

Não é um restaurante, mas acabar a noite do Bar Procópio, junto à Praça das Amoreiras, é um bom conselho lisboeta que podemos dar. Criado nos anos 70, atravessou muito bem os tempos e é hoje um lugar sereno de encontro de gerações, onde se pode namorar ou conversar, sob música suave, num ambiente rodeado de memorabilia art-déco e outra. Peça ao Luís a Mesa 2, se não estiver ocupada pela tertúlia tradicional.

Como alternativa, aconselho, ambos na Rua D. Pedro V, o bar “Pavilhão Chinês” (no nº 89, tel. 213 424 729 ) ou o bar “Pedro Quinto” (no nº 14, tel. 213 427 842), onde o Juvenal também lhe pode proporcionar um jantar ligeiro.


Bica do Sapato
Avenida Infante D. Henrique
Tel. 218 810 320

Ao lado da estação ferroviária de Santa Apolónia, junto ao espaço discoteca “Lux”, que pode visitar no final de um jantar, é um dos mais belos restaurantes de Lisboa, com excelente comida e um ambiente cosmopolita que não tem par na cidade. Possui também um bom sushi-bar.


Café-in
Avenida de Brasília, 311
Tel. 213 626 248

Num belo espaço sobre o Tejo, não longe da Torre de Belém, um grande restaurante especializado em peixe, sob a gerência atenta de Abílio Fernandes, onde a Lisboa política se encontra para almoçar.

Um pouco distante, já na Ajuda, tem duas alternativas simpáticas: o mais formal “Nobre” (Rua das Mercês, 71, tel. 213 633 827) e o magnífico ambiente para almoços da “Estufa Real” (no Jardim Botânico da Calçada do Galvão, tel. 213 619 400).


A Charcuteria
Rua do Alecrim, 47 A
Tel. 213 423 845

Tendo como antecessor uma minúscula charcuteria no bairro de Campo de Ourique, nasceu há alguns anos, entre o Chiado e o Tejo, este interessante restaurante, onde prepondera a boa cozinha alentejana. Manuel Martins recomendará vinhos de grande categoria.


Conventual
Praça das Flores, 44-45
Tel. 213 909 196

Espera-se que a abundante presença de políticos não faça afastar ninguém deste excelente restaurante, com requintada gastronomia portuguesa, que termina sempre na tentadora mesa das sobremesas.

Na área, pode ter como alternativa a excelente cozinha italiana “gourmet” de “A Galeria” (Rua de S. Bento 334, tel. 213 952 552) ou os nocturnos “XL” (Calçada da Estrela, 57, tel. 213 956 118) e “Café de S. Bento” (Rua de S. Bento, 212, tel. 213 952 911), este último para o melhor bife de Lisboa.


O Galito
Rua da Fonte, 18-D
Carnide
Tel. 217 111 088

A comida alentejana da D. Gertrudes é um espectáculo de sabores neste pequeno restaurante perto do Largo da Luz, junto ao Colégio Militar. Peça ao Henrique que lhe recomende um vinho, também alentejano, claro.

Gambrinus
Rua das Portas de Santo Antão, 23
Tel. 213 421 466

Na “Baixa” de Lisboa, num ambiente clássico, é um dos mais fiáveis expoentes de uma cozinha tradicional portuguesa com requinte, muito frequentado pelas figuras públicas portuguesas e estrangeiras. Dispõe, além disso, de uma garrafeira de grande nível. Se estiver só, fique na famosa “barra” da entrada.

Para opções mais populares na zona da Baixa, recomenda-se o ruidoso “Solar dos Presuntos” (na mesma rua, nº 15, tel. 213 424 253), do Evaristo, ou o discreto “Múni” (no nº da Rua dos Correeiros, 115, tel. 213 428 982), onde o Vidal lhe fará revisitar cozinha de tradição galega.


O Poleiro
Rua de Entrecampos, 30 A
Tel. 217 976 265

A imagem exterior do restaurante, situado numa rua paralela à Avenida da República, junto à estação ferroviária de Entrecampos, pode ser pouco apelativa, mas dentro vai encontrar uma comida portuguesa variada e rica, assente nos grelhados, com uma notável garrafeira que o Aurélio Martins ajudará a explorar.

Como alternativas na área, embora não muito próximas, recomendo o popular “O Polícia” (Av. Conde Valbom, 127, junto à Fundação Gulbenkian, tel. 217 963 505) ou o discreto “5 do 10” (Av. 5 de Outubro, 63 A, tel. 213 141 393).


Pap’Açorda
Rua da Atalaia, 57/59
Tel. 213 464 811

Quando o Bairro Alto passou a ser “fashionable”, este restaurante ficou como um dos seus ícones. Hoje, com outras áreas de Lisboa como competidoras, mantém-se como uma referência essencial da cidade pela sua excelente comida, portuguesa e internacional, com um ambiente contemporâneo com toques de sofisticação, a que uma clientela variada, mas muito exigente, confere grande classe. É uma experiência para os olhos esperar no balcão, enquanto o Fernando lhe arranja uma mesa.

Como alternativas muito próximas, tem no nº 8 da mesma rua o popular “1º de Maio” (tel. 213 426 840), ou o óptimo italiano “Casanostra” (Travessa do Poço da Cidade, 60, tel. 213 425 931).


Tasquinha d’Adelaide
Rua do Patrocínio, 70/74
Tel. 213 962 239

Tem 28 lugares e a simpatia da Adelaide, uma transmontana do mundo, que já andou pelo Brasil e outras Américas e que, num simpático espaço minúsculo, recria há uma década as belas comidas da sua terra.

No mesmo bairro de Campo de Ourique, tem, como boa alternativa, o “Coelho da Rocha” (rua Coelho da Rocha, 104 A, tel. 213 969 724).


Tavares
Rua da Misericórdia, 35
Tel. 213 421 112

É, sem a menor dúvida, o mais clássico restaurante de Lisboa, com séculos de História e de histórias, onde JK e Lacerda selaram um célebre entendimento. Sob os seus dourados e espelhos pode hoje apreciar-se uma renovação que não lhe modificou a natureza e o requinte estético e gastronómico.

Uma alternativa contrastante no ambiente, mas com óptima comida portuguesa tradicional, tem o mais popular “Farta Brutos” (também chamado o “Tavares Pobre”), logo atrás, na Travessa da Espera, 20 (tel. 213 426 756). O antes referido “Pap’Açorda” também fica perto.


Terreiro do Paço
Praça do Comércio
Tel. 210 312 850

Resultado de uma bem sucedida tentativa de reanimar a Praça do Comércio (ou Terreiro do Paço, como os lisboetas lhe chamam), este moderno restaurante, próximo do local onde o rei e o príncipe portugueses foram mortos em 1908, rapidamente se colocou no roteiro de políticos dos ministérios da área. Mudanças de gestão não têm afectado o essencial da sua qualidade gastronómica, agora sob a direcção de Vitor Sobral, uma das referências essenciais da gastronomia portuguesa.

Uma alternativa curiosa é, do outro lado da praça, o “Martinho da Arcada” (tel. 218 879 259), de onde partiram os regicidas.


A Travessa
Travessa do Convento das Bernardas, 12
Tel. 213 940 800

O gosto belga da Vivianne e o do português do António transformaram uma ala de um velho convento, numa rua esconsa da Madragoa, num belo e excelente restaurante, com famosas entradas, o qual, no Verão, se estende pelo claustro.

Alternativa muito simpática na área, em especial em dias de sol, é a esplanada de “A Confraria”, situada na York House (Rua das Janelas Verdes, 32, tel. 213 962 435). Na vizinha Lapa, recomenda-se o “Nariz de Vinho Tinto” (Rua do Conde, 75, tel. 213 953 035) e, um pouco adiante, já em Alcântara, embora muito escondido, fica o “Painel de Alcântara” (Rua do Arco, 7-13, tel. 213 965 920), onde o Cardoso pontifica na soberba cozinha.

Uai !
Cais da Rocha do Conde de Óbidos
Tel. 213 900 111

Entre os muitos pontos de comida brasileira que hoje existem por toda a Lisboa, este restaurante consagrou-se como a principal referência.


Valle-Flôr
Rua Jau, 54
Tel. 213 615 600

Desmentindo o tradicional descrédito dos restaurantes de hotel, este espaço, situado no Carlton Palace Hotel, tem uma comida de altíssimo nível e um ambiente a condizer. É imperdível, para quem gosta de cozinha requintada.


VírGula
Rua da Cintura do Porto de Lisboa
Tel. 213 432 008

Dirigido pela mão segura de Pedro Rodrigues, que foi o criador do consagrado “Tradicional”, no Algarve, este belo espaço envidraçado sobre o rio Tejo é já uma referência lisboeta a não perder. Para lá chegar, contorne a estação ferroviária do Cais do Sodré pelo lado do rio e tome a primeira transversal à esquerda depois da estação fluvial.


Cascais

Porto de Santa Maria
Estrada do Guincho
Guincho
Tel. 214 879 450

Há muito pouco a dizer: o melhor peixe e marisco de Lisboa e arredores, com o mar aos pés, nas arribas do Guincho, muito para lá de Cascais. Muito caro, mas muito bom.

Alternativas na área são o esplendoroso “Fortaleza do Guincho” (na mesma estrada, um pouco mais distante de Cascais, tel. 214 870 491) e o menos espampanante, mas muito sólido, “Monte Mar” (também na mesma estrada, mas em direcção a Cascais, tel. 214 869 270).


Sintra

Lawrence’s Hotel
Rua Consiglieri Pedroso, 38-40
Sintra
Tel. 219 105 500

Eça de Queirós adorava este clássico hotel de Sintra, um dos mais antigos da península ibérica, agora renovado com grande requinte, dispondo de um restaurante de grande qualidade. Por ele passaram Lord Byron, Camilo Castelo Branco, Alexandre Herculano e muitos nomes famosos dos cultores de Sintra.


Alentejo


Terrugem

Bolota castanha
Quinta das Janelas Verdes
Terrugem
Elvas
Tel. 268 657 401

Júlia Vinagre sintetizou na pequena localidade de Terrugem, na estrada antiga entre Estremoz e Elvas, as suas várias realizações anteriores em matéria de restauração, dando um carácter muito particular à comida alentejana. O resultado é soberbo.


Alandroal

A Maria
Rua João de Deus, 12
Tel. 268 431 143

No centro da vila do Alandroal, a Dona Maria recomendará do melhor da sua cozinha alentejana, num ambiente simples mas muito típico. Justifica bem a viagem.


Estremoz

São Rosas
Largo D. Dinis
Tel. 268 333 345

A dois passos da Pousada Raínha Santa Isabel (onde também se come muito bem, diga-se de passagem) fica este pequeno mas bem confortável restaurante, com excelente cozinha alentejana.

Alternativa próxima: na mesma cidade, a “Adega do Isaías” (tel. 268 322 318 ), num registo bem mais popular.


Évora

Fialho
Travessa do Mascarenhas, 16
Tel. 266 703 079

Na que é, porventura, a cidade portuguesa de província com mais restaurantes de qualidade, esta casa impõe-se como uma referência já internacional, onde as entradas e os doces rivalizam com os pratos principais.

Alternativas próximas, entre muitas outras: ainda em Évora, a minúscula mas fabulosa “Tasquinha do Oliveira” (Rua Cândido dos Reis, 45A, tel. 266 744 841); em Santiago do Escoural, o sempre magnífico “Manuel Azinheirinha” (tel. 266 857 504); e, em São Manços, o popular “O Chico” (tel. 266 722 208).


Algarve


Albufeira

Vila Jóia
Estalagem Villa Joya
Praia da Galé. Albufeira
Tel. 289 591 795

O facto de ser um restaurante estrelado no Guia Michelin nem sempre é a garantia absoluta de uma refeição para agradar a “gregos e troianos”. Mas aqui está uma excepção: alta cozinha, de grande requinte, num ambiente de grande classe e bom-gosto. Reserve com muita antecedência.

Almancil

Ermitage
Estrada de Vale de Lobo
Tel. 289 394 329

Desde há vários anos, um casal holandês deu ao Algarve um dos seus melhores restaurantes, situado próximo de Vale de Lobo, com gastronomia internacional de grande nível.

Muito boas alternativas próximas: o “Tradicional” (tel. 289 412 775); o “São Gabriel” (tel. 289 394 521) e, na Quinta do Lago, a “Casa Velha” (tel. 289 394 983).


Henrique Leis
Vale Formoso
Tel. 289 393 438

É difícil definir este restaurante a caminho de Loulé onde, no Verão, é dificílimo reservar mesa com semanas de antecedência. A sua culinária é requintada, o serviço atento e o espaço, que não é muito, vai ficar-lhe também na memória.

Alternativas interessantes, saindo de Loulé pela estrada 396: logo à saída, a surpreendente “Casa Paixanito” (tel. 289 412 775) e, em Querença, o popular “De Querença” (tel. 289 422 540).


Mexilhoeira Grande

Vilalisa
Rua Francisco Bívar
Mexilhoeira Grande
Tel. 282 968 478

O Vila e o Lisa lançaram, há já alguns anos, este pequeno espaço onde, em mesas corridas, se prova o que a ementa de quatro pratos, diariamente renovada, nos traz. Mas, podemos garantir, a experiência vale bem a pena.